Segunda a Laura...

Crônicas
3h atrás

Olha, se o destino quiser colocar um abismo gigante entre nós e a distância virar uma parede que eu não consigo quebrar; se os meus dias virarem um deserto completo onde a única coisa que eu consigo ouvir seja o sol gritando comigo, onde eu não escuto a sua voz e onde esse silêncio parece que nunca vai ter fim, eu juro que a minha alma não vai se perder de você. Mesmo que o tempo me castigue e exija uma paciência que eu mal tenho, mesmo que eu sinta um aperto absurdo no peito vendo as horas passarem devagar, quase parando, enquanto eu enfrento essa sua ausência... eu vou aguentar. Eu preciso de você de um jeito que nem sei explicar, é uma necessidade que consome cada pensamento meu. Posso ter que esperar o momento que for, até você finalmente me aceitar por inteiro, mas saiba que cada batida do meu coração no meio desse desespero vai ser um grito para o mundo de que eu não vou te esquecer. Porque o que eu sinto por você não é algo que o tempo leva ou que a calmaria apaga. É uma paixão avassaladora, daquelas que mudam a vida da gente para sempre, escrita na minha própria história. Não existe distância no universo capaz de mudar essa verdade, nem tempo no relógio que consiga fazer o que eu sinto diminuir. Que o mundo continue girando doido aí fora, cheio de incertezas, porque a minha única certeza absoluta nessa vida é você. Ainda que eu tenha que te esperar por uma vida inteira, ou por cem vidas, eu; para sempre, Laura, vou te amar. Ass: Abidiel V.

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Medos e fracassos

Crônicas
1d atrás

O medo mora no espaço entre o querer e o ser. Às vezes, aparece justamente quando chega a hora de fazer aquilo que se desejou por tanto tempo. Não avisa. Apenas está ali. As cortinas se abrem, as luzes se acendem e, por alguns segundos, não existe mais nada além do palco e dos olhos voltados para ele. Foi assim em um pequeno teatro, muitos anos atrás. Era uma primeira grande apresentação. O palco parecia maior do que nos ensaios. As luzes eram fortes, a plateia silenciosa, e havia uma expectativa difícil de explicar. Bastava olhar para frente para perceber que todas aquelas pessoas estavam esperando alguma coisa. A personagem estava pronta. As falas também. Tinham sido repetidas tantas vezes que pareciam conhecidas até demais. Mas, quando chegou a hora, as palavras desapareceram. A primeira fala demorou a sair. Depois veio a tentativa de lembrar a seguinte. Quanto mais se procurava pela frase, mais distante ela parecia. O silêncio, que antes fazia parte da apresentação, passou a pesar. As luzes pareciam mais fortes. Os rostos, mais próximos. Era como se o corpo tivesse esquecido aquilo que a memória sabia. Não havia acontecido nenhuma tragédia. Ninguém havia saído da plateia. O mundo não tinha acabado. Ainda assim, naquele pequeno espaço, parecia que um erro seria suficiente para transformar toda aquela apresentação em fracasso. É estranho como o medo consegue aumentar as coisas. Uma palavra esquecida pode parecer uma sentença. Um tropeço pode parecer definitivo. Um momento de silêncio pode ganhar o tamanho de uma vida inteira. O palco não é apenas um lugar de desempenho. Às vezes, é um espelho que devolve aquilo que se tenta esconder: a insegurança, a dúvida, o medo de não ser suficiente. E talvez seja justamente por isso que o fracasso assuste tanto. Ele não precisa ser grande. Às vezes, cabe em uma palavra esquecida, em uma prova que não saiu como esperado, em uma oportunidade perdida ou em uma porta que não se abriu. O fracasso é uma palavra pequena e fria. Aninha-se nos pensamentos e permanece ali por mais tempo do que deveria. Depois de um erro, é comum que a memória repita a cena inúmeras vezes, procurando o momento exato em que tudo poderia ter sido diferente. Como se voltar ao passado pudesse mudar alguma coisa. Mas não muda. O que pode mudar é o que se faz depois.

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A primeira vez que meu silêncio falou

Crônicas
6d atrás

Eu não sabia que o silêncio também podia ser lembrança. Mas a primeira vez que vi o meu, ele veio pesado, como se carregasse anos que eu nunca tinha vivido — e, ainda assim, me pertenciam. Aconteceu numa roda de conversa, num sábado abafado, quando me convidaram para um encontro comunitário no bairro vizinho. Eu fui achando que seria só troca de ideias, algo simples. Cheguei com meu caderno de anotações, minhas palavras prontas e aquela confiança que a gente aprende a ter quando sempre foi ouvida. Mas bastou eu me sentar no círculo para sentir que havia algo diferente. As pessoas ali falavam com uma verdade que não cabia em estatísticas, nem em frases de impacto. Eram histórias abertas como feridas recentes e, ao mesmo tempo, tão antigas quanto a rua de terra onde o encontro acontecia. Uma mulher contou que o filho tinha sido parado pela polícia mais vezes do que tinha idade para entender injustiça. Um rapaz disse que atravessava a cidade como quem atravessa um campo minado — qualquer movimento podia ser interpretado como ameaça. Outra contou que estudava com medo do olhar dos professores, porque parecia que esperavam sua queda antes do seu acerto. Enquanto eles falavam, eu sentia algo em mim se deslocar. Como se uma peça interna, colocada desde sempre no lugar errado, finalmente estivesse tentando se ajustar. Eu quis dizer algo bonito. Quis apoiar, comentar, mostrar que eu estava ali por inteiro. Mas as palavras, antes tão prontas, travaram na garganta. E naquele silêncio — naquele instante absoluto — eu vi, pela primeira vez, o tamanho do espaço que sempre ocupei sem perceber. Percebi que eu caminhava em ruas abertas enquanto eles respiravam entre muros. Que eu vivia distraída num terreno onde eles precisavam calcular cada passo. Que a minha liberdade, confortável e tranquila, era o sonho distante de tanta gente. A vergonha veio primeiro — uma vergonha mansa, não humilhante, mas lúcida. Depois veio uma espécie de luto, como se eu estivesse me despedindo de uma versão ingênua de mim mesma. E, por fim, veio o entendimento: às vezes, o mais justo é sair do centro da frase. O silêncio era o meu lugar naquela hora. Não porque eu não tivesse o que dizer, mas porque, pela primeira vez, eu entendi que não precisava ser a dona da resposta. Eu ouvi. E ouvir doeu mais do que falar. Mas também me abriu. Quando o encontro acabou, voltamos todos caminhando pela rua de terra. Eu reparei em coisas que nunca tinha reparado: a casa com as janelas sempre fechadas, o terreno onde crianças brincavam com latinhas, o cachorro que seguia cada grupo como quem guarda histórias. Percebi que o mundo deles tinha cor, cheiro, ritmo — e que, mesmo tão perto do meu, eu nunca tinha realmente visto. Naquela noite, escrevi no meu caderno, com a mão trêmula: "Hoje, meu silêncio falou. E o que ele disse não foi conforto. Foi verdade." Desde então, tenho aprendido o que ninguém me ensinou nos livros: que escutar também é verbo de ação, que humildade é uma forma profunda de coragem, e que há mudanças que só acontecem quando a gente cala para ouvir a vida dos outros.

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O MEU ENCONTRO COM ELA

Crônicas
1880d atrás

Eu comentei, por curiosidade, o status dela. Ela postou algo dizendo que era Fake News, o que não é hoje em dia? Mas o assunto fluiu, ela super educada! Eu, como não sou bobo, disse que era escritor e entendia um pouco de português! Ela como estava estudando para concursos, logo se interessou! Trocamos o número do telefone e viramos amigos! Eu, como muitos sabem, não tenho amigas! Mas, para sair do óbvio, aceitei a amizade. Não falei, mas ela é a verdadeira obra de arte esculpida em Carrara. Uau, o sorriso dela se compara ao pôr do sol, pois, depois da luz, vem o brilho proveniente duma estrela, que, na verdade, pode ser ela! Uma estrela deusa entre os mortais. A amizade fluiu, nós percebemos muitas coisas em comum e ficávamos horas conversando sobre tudo! Eu nunca disse a ela, mas eu já a admirava há tempos! Quase bati num carro por olhar para ela! Mas a vida me pôs ali com ela, a deusa moça esculpida em Carrara! Sabe aquela moça que todos olham? Então, é ela! Quem sou eu na fila do pão, né? Mas, como escritor, percebi sua beleza adjetiva em cada detalhe, cada gesto e falar! Nossa, ela é o amor da vida de qualquer homem, mas eu estava ali o dia inteiro conversando com ela. Eu, naquele momento, era um privilegiado, o mais sortudo dos homens, eu tinha o sorriso dela, pois ela sorria com minhas brincadeiras! Nós, às vezes, somos felizes por um instante em momentos que são únicos! Eu tenho a percepção disto. Por isso, eu sou escritor, vim à vida para registrar momentos únicos e raros, belos e poéticos. O meu encontro com ela foi isto que acabei de falar. O meu encontro com ela foi poesia bela a registrar. Rustic writer Russiann_poet

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PRESO NO TRÂNSITO DE UMA NOITE DE SEXTA

Crônicas
1954d atrás

O céu estava pesado, sem estrelas ameaçando chover a qualquer momento. Ele estava preso num trânsito caótico. Era 18:45pm de uma sexta feira. Do vidro do carro olhava as luzes dos faróis, dos apartamentos dos prédios. Parecia que as estrelas haviam descido do céu. Ligou o rádio e ficou ouvindo Raul Seixas. Sorriu e concordou Raul tinha razão era melhor mesmo ser essa metamorfose ambulante do que ter uma opinião formada sobre tudo. Pelo menos a metamorfose lhe pensava pensar sobre qualquer besteira e ter suas dúvidas. O carro andou uns poucos centímetros. Olhou os carros vizinhos. Pessoas conectadas e estressadas compartilhavam com ele o trânsito caótico. Um executivo num Honda civic discutia ao telefone, parecia gritar e apontava dedos pra todas as direções. Se ele tivesse um infarto ali e morresse perderia qualquer argumento, estivesse ou não com razão, qual o motivo pra gritar e apontar dedos? Seria necessário? Uma moto passou ao seu lado quase levando o retrovisor. Ele pensou em abrir a porta e gritar pro motoqueiro ir se danar. Pensou no infarto e refletiu. De que adiantaria? Suspirou pensou em relaxar e acender um cigarro. Mais uma vez o carro andou pouco. Ao longe viu sirenes. Andou bem mais que antes e pode ver um acidente. Um corpo coberto por plástico e um outro tentando ser reanimado por paramédicos. Ficou mais calmo. De que adiantaria ficar nervoso, mais estressado no trânsito? Estava com sorte por poder estar ali controlando sua paciência. Diferente da pessoa que estava sob o plástico preto, que não veria o dia surgir no dia seguinte e nem reclamaria mais. Logo depois começou a chover. Isso iria dificultar mais as coisas. Pelo menos quando chegasse em casa poderia aproveitar um banho quente e uma boa caneca de café. Isso o tranquilizou, chegou até a sorrir.

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