Um vinho na prateleira, várias lembranças.
" - Você tem que deixar o líquido se movimentar dentro da sua boca por um tempo, se engolir de uma vez não vai sentir o gosto verdadeiro do vinho.
Eu ouvia atenta com um ar de riso. Já tinha provado outras bebidas, mas nunca fui uma amante de vinhos.
A gente nem precisava de taça pra tomar, um copo comum e a presença um do outro já estava bom.
Conversas lançadas, olhares, o desejo tentando se esconder atrás do riso e da cantoria.
Eu já imaginava como ia terminar: gostos misturados na boca e nosso cheiro misturado no cheiro do vinho. "
- Moça?
- Oi?! - levei um susto.
- Você vai levar o vinho?
De repente me dou conta que estou no supermercado sonhando acordada e olhando o último vinho da prateleira.
- Não, não vou levar.
O rapaz pega a garrafa sem cerimônias e vai na direção do caixa.
Prateleira vazia e coração também.
É, naquele dia eu já estava embriagada a muito tempo, antes mesmo de provar o vinho. Eu me embriaguei nele. Agora é enfrentar essa ressaca.

