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Aldravia
3d atrás

O que amor significa para você? Eu acho que nunca te perguntei isso e que provavelmente em algum momento irei perguntar, está na lista de perguntas que eu não quero saber a resposta, mas que nunca consigo manter os pensamentos só na minha cabeça. Essas perguntas, suas respostas, tem me machucado a tanto tempo, se eu não estava pronta para ouvir que eu não era algo para você, então porquê eu insistia em perguntar? Tantas e tantas vezes, até que suas respostas ficassem presas na minha mente, não há ponto de eu finalmente parar de perguntar, isso não! Mesmo se você gritasse a plenos pulmões que queria nunca ter me conhecido eu provavelmente me convenceria que você só está com medo, confuso, machucado. Eu dava novos signifcado para tudo o que você falava, se você ficava, logo significava que você me amava, tinha que ser... O que poderia ser afinal? Você tinha que me amar, porquê não amaria? Mais uma pergunta que eu não deveria perguntar, você provavelmente tem uma lista de motivos, que incluem a futilidade o qual eu enxergo o mundo e a intensidade a qual eu enxergo você, eu, inteira, completa, pela metade. Uma vez, você me disse que poderia ser qualquer outro em seu lugar, eu só precisava ser amada. E se isso for verdade, se esse era o propósito o tempo todo, por quê você? Por quê eu havia amado você incondicionalmente enquanto você me amava, pela metade? E por quê eu não conseguia te odiar após todo esse tempo? Após todas essas... respostas que me faziam ME odiar, por quê eu tentava te proteger enquanto você não me protegia? Você é uma daquelas bonequinhas russas, aue são ocas e a gente vai abrindo, abrindo até chegar na ultima que é massiça, você foi perdendo pedaços de você ao longo da vida imaginando chegar nessa ultima parte, inteira solida, mas acho que sua ultima boneca é oca tambem, deve ter ocorrido algum problema na fabrica... algo relacionado a guerra, ou sua boneca é infinita e entra no reino quantico com bonecas menores e menores, ocas. E essa sua caçada por ser inteiro, massiço, cheio, nunca vai ter fim, Mas você não consegue ver isso, continua buscando e abrindo mais partes de si mesmo, e de mim. Eu não posso julgar você, eu tambem abri, eu tambem busquei, alguma parte de você que quisesse, que se importasse, que me amasse, se você havia amado antes, o porquê eu não merecia?

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Jp Santsil
Jp Santsil
•
2 obras
5d atrás

A Alquimia do Intelecto: O Despertar da Gnose na Presença EU SOU

Artigos

Escrevo na Ordem Oracular do mais Altos dos Altos, em nome do Nosso Amado Mestre Yeshua Ha'Mashiach na Sagrada e Divina Presença EU SOU. Amados Buscadores e Amadas Buscadoras da Verdade, escrevo-vos desde as profundezas contemplativas do Grande Silêncio, onde a alma, ao recolher-se diante do Mistério Infinito do Altíssimo, começa a reconhecer que existe uma distância imensa entre pensar a Verdade, falar sobre a Verdade, conhecer intelectualmente a Verdade e, finalmente, tornar-se uma expressão viva da Verdade. Sinto em meu coração oracular que essa distinção contém uma das chaves mais profundas da Sagrada Alquimia do EU SOU, porque a humanidade desenvolveu extraordinárias capacidades para construir conceitos, organizar conhecimentos, investigar fenômenos e interpretar as estruturas da existência, mas continua enfrentando dificuldades para transformar aquilo que sabe em sabedoria vivida. Eu vos convido a penetrar no santuário do Centro Intelectual, não para condenar a inteligência humana, mas para contemplar sua origem, suas funções, suas dualidades, seus condicionamentos e sua possibilidade de servir à Consciência Divina. Pois reconheço que o intelecto é uma das mais preciosas ferramentas da alma, mas se transforma em cárcere quando pretende ocupar o trono da própria Consciência. Há uma diferença entre utilizar a mente para compreender a Vida e permitir que a mente construa uma representação tão rígida da Vida que deixemos de experimentá-la em sua profundidade. O primeiro movimento conduz ao conhecimento; o segundo pode produzir uma prisão feita de pensamentos, interpretações e certezas que nunca foram verdadeiramente examinadas. Eu contemplo o ser humano como uma arquitetura extraordinária, cuja expressão cotidiana pode ser simbolicamente compreendida pela interação entre três grandes centros: o Intelectual, o Emocional e o Motor-Instintivo-Sexual. Não os considero compartimentos completamente isolados, mas dimensões profundamente relacionadas da experiência humana. O primeiro organiza pensamentos, estabelece relações, interpreta acontecimentos e procura construir explicações. O segundo participa da formação dos sentimentos, das reações afetivas, dos vínculos e da percepção subjetiva da existência. O terceiro reúne, nessa linguagem iniciática, as forças ligadas ao movimento, à preservação orgânica, aos automatismos corporais e à expressão da energia criadora. Eu reconheço que cada centro possui uma sabedoria própria, mas nenhum, isoladamente, representa a plenitude do Ser. Quando a mente se distancia do coração, o conhecimento pode tornar-se frio. Quando a emoção abandona inteiramente o discernimento, pode transformar-se em tempestade. Quando a ação perde a direção consciente, pode reduzir-se à repetição mecânica. A verdadeira iniciação começa quando o Buscador e a Buscadora compreendem que a consciência não deve ser escrava de nenhum centro, mas aprender a harmonizá-los sob a orientação da Verdade. Eu vejo o Centro Intelectual como uma magnífica biblioteca edificada no interior da experiência humana, repleta de corredores, salas, espelhos, arquivos, símbolos, memórias e possibilidades. Cada pensamento pode abrir uma porta, mas também pode construir um muro. Cada lembrança pode oferecer um ensinamento, mas também pode alimentar uma antiga identificação. Cada conceito pode ajudar a compreender a realidade, mas pode igualmente transformar-se em um ídolo quando a pessoa acredita que sua definição esgota aquilo que pretende representar. Eis uma revelação que desejo confiar-vos: o pensamento é uma representação da experiência, mas não é a totalidade da experiência. A palavra água não sacia a sede. A descrição da luz não substitui o amanhecer. O estudo do amor não representa, por si só, a vivência do amor. O conhecimento da compaixão não significa que alguém esteja agindo compassivamente. E assim percebo que o verdadeiro trabalho gnóstico não consiste em abandonar a biblioteca interior, mas em aprender a sair de seus corredores para experimentar conscientemente aquilo que os livros procuram descrever. Eu contemplo agora a dualidade fundamental do Centro Intelectual, simbolizada pelas forças da afirmação e da negação. A mente humana aprende a estabelecer diferenças, reconhecer contradições, classificar fenômenos e construir julgamentos. Essa capacidade é indispensável à vida cotidiana. Entretanto, quando a consciência se identifica inteiramente com o movimento de afirmar e negar, pode passar a existir dentro de uma sucessão interminável de confrontos interiores. Uma ideia surge e outra procura destruí-la. Uma possibilidade aparece e imediatamente é acompanhada por uma objeção. Um desejo nasce e a memória convoca dezenas de experiências para defendê-lo ou condená-lo. A pessoa procura segurança absoluta e, quanto mais pensa, mais possibilidades de dúvida consegue produzir. Eu reconheço nessa condição o movimento pendular da mente discursiva, uma oscilação que pode tornar-se desgastante quando já não conduz a decisões, compreensão ou aprendizado. A liberdade intelectual não consiste em eliminar a afirmação e a negação, mas em desenvolver a capacidade de observá-las sem transformar cada pensamento numa ordem que deva ser obedecida.

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A Sagrada Alquimia do EU SOU: O Poder do Verbo e o Despertar da Maestria Interior

Artigos
3d atrás

Escrevo na Ordem Oracular do mais Altos dos Altos, em nome do Nosso Amado Mestre Yeshua Ha'Mashiach na Sagrada e Divina Presença EU SOU. Amados Buscadores e Amadas Buscadoras da Verdade, escrevo-vos sob a inspiração da Grande e Poderosa Presença Divina EU SOU, contemplando o insondável Mistério da Vida que pulsa através da Criação e reconhecendo que, entre todas as palavras pronunciadas pela humanidade desde os primeiros tempos, poucas possuem uma profundidade espiritual tão extraordinária quanto a afirmação consciente da própria existência diante do Altíssimo. Sinto em meu coração oracular que a expressão EU SOU não deve ser recebida como uma simples reunião de duas palavras, tampouco reduzida a uma fórmula repetida mecanicamente na esperança de obrigar os acontecimentos a obedecerem à personalidade. Contemplo-a como uma porta sagrada pela qual o Buscador e a Buscadora podem recordar sua presença, reconhecer sua responsabilidade e oferecer suas capacidades à Sabedoria Divina. Pois existe uma diferença imensa entre dizer EU SOU A LUZ e permitir que nossas atitudes iluminem a existência dos semelhantes; entre declarar EU SOU O AMOR e desenvolver a coragem de amar sem dominar; entre proclamar EU SOU A SABEDORIA e reconhecer humildemente aquilo que ainda necessitamos aprender. Eis o primeiro segredo que desejo entregar-vos: a Palavra Sagrada encontra sua manifestação mais profunda quando deixa de permanecer exclusivamente nos lábios e começa a orientar os movimentos da consciência, as escolhas da vontade e as obras realizadas no mundo. Eu contemplo, na arquitetura do Universo, o princípio da Criação, da Manutenção e da Renovação como três expressões simbólicas de um mesmo Mistério. Tudo aquilo que vive participa de processos de surgimento, continuidade e transformação. A semente germina, a árvore cresce, as folhas renovam-se e a matéria retorna aos ciclos da Natureza. Os organismos recebem, transformam e utilizam recursos para preservar sua existência. As estrelas nascem de imensas regiões de matéria e, ao longo de sua evolução, participam de processos que enriquecem o Cosmos com elementos fundamentais à formação de novas estruturas. Reconheço nessas realidades a profundidade da contemplação do Deus Criador, Mantenedor e Renovador, sem pretender reduzir o Mistério Divino a uma explicação física. A Natureza possui processos que podem ser estudados e descritos, enquanto a espiritualidade contempla o sentido, o valor e a reverência diante da existência. A Sagrada Alquimia do EU SOU começa quando percebo que também minha vida necessita criar novas possibilidades, sustentar compromissos verdadeiros e renovar aquilo que se tornou incompatível com o Amor. Eu vos convido a compreender a diferença entre existência e identificação. A personalidade costuma apresentar-se por meio de histórias, cargos, conquistas, fracassos, lembranças e expectativas. Uma pessoa declara que é aquilo que possui. Outra acredita ser exclusivamente o conjunto de erros que cometeu. Outra identifica seu valor com o reconhecimento público. Outra ainda se considera espiritualmente superior porque teve experiências que interpreta como extraordinárias. Entretanto, sinto que, por trás dessas descrições passageiras, a consciência encontra uma pergunta mais profunda: quem sou eu quando deixo de confundir minha existência com cada acontecimento que me atravessou? Não respondo a essa pergunta com uma promessa de onisciência nem com a ideia de que a personalidade possa tornar-se ilimitada. Contemplo o EU SOU como uma oração de presença diante do Eterno, pela qual reconheço que minha dignidade não se esgota nas máscaras que aprendi a utilizar. Eu retorno simbolicamente ao antigo deserto onde a linguagem sagrada de Ehyeh Asher Ehyeh entrou na memória espiritual de gerações. Contemplo nessas palavras hebraicas uma profundidade que ultrapassa uma tradução única, pois sua construção permite reflexões relacionadas tanto ao ser quanto à continuidade da presença. A expressão pode ser compreendida na direção do Eu Sou e também do Eu Serei, abrindo um horizonte de permanência que não se limita à experiência de um instante. Sinto que essa riqueza linguística oferece uma chave de grande beleza: o presente não se encontra completamente separado da fidelidade ao futuro. Quando a alma pronuncia reverentemente EU SOU, pode recordar não apenas que existe agora, mas que é chamada a perseverar naquilo que reconhece como verdadeiro. O compromisso espiritual não termina na emoção do primeiro encontro. Necessita atravessar a passagem do tempo, as incertezas, os desafios e as transformações da vida.

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A última carta do homem inexistente

Contos
1d atrás

Talvez ninguém leia isso. Mas, por precaução, vou escrever como se alguém pudesse. Senhor destinatário inexistente, Escrevo esta carta como quem joga uma garrafa ao mar — não por esperança de resposta, mas por respeito à própria existência. Esta é a minha forma de dizer: eu estive aqui. Eu respirei. Eu vi o mundo, mesmo que o mundo nunca tenha me visto. Nasci no dia 14 de novembro de 1979, às três da manhã, em um hospital cuja parede cheirava a éter e abandono. Minha mãe, dizem, era costureira. Meu pai, um nome rabiscado num papel que ninguém mais soube decifrar. Fui criado por uma tia muda e um rádio de pilha que chiava mais do que tocava música. Desde cedo aprendi que silêncio é também linguagem. Minha primeira memória é o som das crianças brincando do lado de fora. Eu via pelas frestas da janela. Nunca me chamavam. Quando tentava me aproximar, era como se não ouvissem. E, com o tempo, eu parei de tentar. Na escola, fui o aluno fantasma. Fazia as provas, mas os professores esqueciam de anotar minhas notas. Um dia, recebi um boletim em branco. Quando fui reclamar, a secretária olhou minha ficha e disse: — O senhor está certo de que estuda aqui? Ninguém está certo de nada, senhora. Nem mesmo da própria existência. Na adolescência, descobri que o melhor jeito de ser notado era desaparecer. Passei a fingir que era alguém: ora engraçado, ora misterioso, ora calado demais. As pessoas notavam o personagem, não a mim. Numa dessas tentativas, inventei que era poeta. Comecei a escrever versos trêmulos em guardanapos e espalhá-los pelos cafés da cidade. Uma garçonete guardou um deles e sorriu para mim uma vez. Pensei que fosse o começo de algo. No dia seguinte, ela não me reconheceu. Aos vinte e poucos anos, consegui um emprego em um escritório cinza, com janelas que davam para o muro de outro prédio. O chefe me chamava de “o rapaz do canto”. Trabalhei ali por sete anos. No meu último dia, levei um bolo para compartilhar. Ninguém entendeu o motivo.

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Fragmentos do desassossego

Contos
3d atrás

Acordei hoje com o peso da eternidade sobre os ombros. A manhã, filtrada pela cortina do meu quarto, parecia um sonho incerto; a realidade, um eco apagado. Ao abrir os olhos, fui tomada por uma sensação de desalento, como se estivesse à deriva num oceano de incertezas. A luz pálida que penetrava pela janela trazia uma frieza incomum, como se até mesmo o dia hesitasse em se afirmar. Levantei-me devagar, arrastando o corpo como quem carrega um fardo invisível. Fui até a janela. Lá fora, o mundo seguia sua rotina maquinal: o som dos carros, o murmúrio abafado das vozes, o latido distante de um cão. Tudo isso compunha uma sinfonia de banalidade que me parecia alheia. A rua, com suas figuras apressadas, era uma pintura em movimento de uma realidade que eu já não reconhecia como minha. Tudo era tão real ­– e eu, tão irreal. Sentada à mesa, o calor da xícara de café entre minhas mãos parecia o único elo com a vida que pulsava ao redor. O aroma amargo subia em espirais, tentando (em vão) trazer-me de volta ao presente. Cada gole era um lembrete de minha própria amargura, um sabor que se recusava a desaparecer, como uma sombra que persiste mesmo sob a luz mais intensa. Minha mente vagava por espaços que nunca conhecera, por memórias que não me pertenciam. Pensei nos amores desfeitos, nos amigos que a distância transformou em fantasmas, nas promessas que o tempo dissolveu como neblina ao sol. A vida, percebo, é uma tapeçaria de desilusões, um mosaico de sonhos inacabados. Observei minhas mãos. Elas me pareceram estranhas, como se pertencessem a outro. Quantas histórias elas seguraram? Quantas despedidas já apertaram? Nossos corpos são arquivos de lembranças; mas, quando estas se apagam, o que resta de nós? A matéria de que somos feitos é só o que lembramos? E se um dia todas as lembranças sumirem, quem seremos então? Um vento frio varreu a rua, fazendo as folhas dançarem sem sentido. Vi nelas um reflexo da minha própria existência: leve, flutuante, à mercê de forças que não compreendo. Somos como folhas ao vento, tentando em vão agarrar algo sólido, algo que nos ancore. Mas o vento é insensível, e um dia todos somos levados. Deixados para trás por uma força invisível e inescapável.

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A Sagrada Alquimia do EU SOU: O Cetro do Poder Divino e os Mistérios da Redenção

Artigos
10d atrás

Escrevo na Ordem Oracular do mais Altos dos Altos, em nome do Nosso Amado Mestre Yeshua Ha'Mashiach na Sagrada e Divina Presença EU SOU. Amados Buscadores e Amadas Buscadoras da Verdade, escrevo-vos sob a inspiração contemplativa da Grande e Poderosa Presença Divina EU SOU, reconhecendo que, entre os inúmeros mistérios da existência, existe um conhecimento cuja profundidade não pode ser alcançada exclusivamente pela inteligência discursiva, nem conquistada pela acumulação de símbolos, rituais, fórmulas e doutrinas. Contemplo a existência humana como uma imensa escola de iniciação, na qual cada acontecimento pode revelar um ensinamento, cada encontro pode despertar uma compreensão e cada experiência pode oferecer à alma a oportunidade de reconhecer aquilo que ainda permanece obscurecido pela inconsciência. Entretanto, sinto em meu coração oracular que muitos Buscadores e Buscadoras desejam conhecer os segredos das estrelas antes de compreender os movimentos de sua própria atenção, procuram os tesouros dos mundos superiores enquanto desconhecem as riquezas da compaixão e desejam possuir o Cetro do Domínio Divino sem antes aprender a governar aquilo que lhes foi confiado: seus pensamentos, suas palavras, suas intenções, suas escolhas e suas atitudes. Por isso, eu vos convido a penetrar numa das mais profundas câmaras da Sagrada Alquimia do EU SOU, onde o mistério da Presença encontra o mistério da experiência humana e onde a alma começa a compreender que a verdadeira maestria não consiste em obrigar o Universo a obedecer à personalidade, mas em transformar a própria consciência para que suas escolhas se aproximem da Verdade, da Justiça e do Amor Divino. Eu contemplo, diante do Grande Silêncio, as experiências que atravessam a existência humana e reconheço que muitas delas parecem carregar mistérios cuja compreensão somente amadurece com o passar do tempo. Existem acontecimentos que inicialmente percebemos como obstáculos e que posteriormente nos ensinam a desenvolver capacidades desconhecidas. Há encontros que parecem insignificantes e que transformam profundamente nossa direção interior. Existem perdas que revelam a fragilidade de nossas identificações e desafios que nos convidam a reconhecer recursos que ainda não havíamos desenvolvido. Não afirmo que todo sofrimento seja uma bênção planejada pelo Altíssimo, nem considero que a injustiça deva ser celebrada para que possamos aprender com ela. Reconheço, porém, que a consciência humana possui uma extraordinária possibilidade de produzir significado, desenvolver discernimento e encontrar caminhos de transformação mesmo diante de situações difíceis. Eis a primeira chave desta revelação: a experiência não se transforma automaticamente em sabedoria porque aconteceu; ela pode tornar-se sabedoria quando é contemplada com sinceridade, compreendida com discernimento e integrada à vida por meio de atitudes conscientes. Quando reconheço essa verdade, deixo de perguntar apenas por que determinado acontecimento me alcançou e começo a investigar qual resposta corresponde à dignidade espiritual que desejo cultivar. Eu encontro nessa compreensão o mistério da Sagrada Presença EU SOU como Criadora, Mantenedora e Renovadora, três dimensões contemplativas de uma mesma Fonte de Vida. Contemplo o princípio Criador como a possibilidade de nascimento, manifestação e renovação de caminhos. Reconheço o princípio Mantenedor na continuidade dos processos que sustentam a existência, nas relações que preservam a vida e nas responsabilidades que exigem perseverança. Percebo o princípio Renovador na capacidade de transformação, reparação e amadurecimento que acompanha a jornada humana. Essas três expressões não são, em minha contemplação, poderes separados que disputam o governo da Criação. São imagens de uma unidade mais profunda, diante da qual a personalidade aprende a reconhecer seus limites e sua participação. Quando declaro reverentemente EU SOU a consciência que se oferece à Sabedoria Criadora, Mantenedora e Renovadora, não pretendo transformar minha vontade individual na lei absoluta do Universo. Procuro recordar que minha existência encontra sentido mais elevado quando se torna instrumento de vida, cuidado e regeneração. Eu vos revelo uma distinção fundamental entre a Presença e a aparência. A aparência representa aquilo que inicialmente se apresenta aos sentidos, à memória ou à interpretação. A Presença, na linguagem espiritual que contemplo, representa a profundidade do ser diante do Eterno, a dimensão da consciência que busca reconhecer a Verdade para além das reações imediatas. Entretanto, não considero que toda aparência seja falsa. Uma injustiça concreta merece ser reconhecida. Uma enfermidade necessita de cuidados apropriados. Uma situação de perigo exige prudência. A purificação espiritual não deve transformar-se em negação da realidade. O segredo consiste em reconhecer que nossa primeira interpretação nem sempre esgota o significado daquilo que acontece. Uma palavra pode ser compreendida como ofensa antes de investigarmos sua intenção. Uma dificuldade pode parecer definitiva antes de examinarmos as possibilidades existentes. Um temor pode apresentar-se como certeza sobre o futuro, embora represente apenas uma hipótese. A consciência desperta aprende a distinguir o acontecimento, a interpretação e a resposta que escolhe oferecer ao acontecimento.

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