Puxei meu corpo pra sair da cama, um corpo vazio, obscuro. Eu só queria ficar deitada e não levantar nunca mais. Eu precisava trabalhar, eu precisava comer, eu precisava reagir. Mas como?
Café da manhã na mesa e nenhuma vontade de comer. As lágrimas pareciam automáticas quando me forcei a engolir algumas colheradas, enquanto ele olhava a tela do celular na minha frente. Corri pro banheiro e joguei tudo no vaso. Chorei mais um pouco, era impossível que aquilo ficasse no meu estômago!
Cheguei na mesa ainda mais vazia.
- Você sabe que tem que comer, né? Agora não é só você, tem nossa menina também.
- Eu sei - minha voz saiu entrecortada.
A gravidez multiplicou por mil meus sentimentos.
- Olha aqui pra essa foto.
Ele me entregou o celular e me vi na tela num click que ele tinha tirado alguns minutos atrás. Cabelo bagunçado, semblante caído, aura estranha.
- Queria te mostrar como é que você fica nesses dias. E essa não é você.
Ah, se ele soubesse que dentro de mim a bagunça era muito, mas muito maior...

