O céu estava pesado, sem estrelas ameaçando chover a qualquer momento. Ele estava preso num trânsito caótico. Era 18:45pm de uma sexta feira. Do vidro do carro olhava as luzes dos faróis, dos apartamentos dos prédios. Parecia que as estrelas haviam descido do céu. Ligou o rádio e ficou ouvindo Raul Seixas.
Sorriu e concordou Raul tinha razão era melhor mesmo ser essa metamorfose ambulante do que ter uma opinião formada sobre tudo. Pelo menos a metamorfose lhe pensava pensar sobre qualquer besteira e ter suas dúvidas. O carro andou uns poucos centímetros. Olhou os carros vizinhos. Pessoas conectadas e estressadas compartilhavam com ele o trânsito caótico. Um executivo num Honda civic discutia ao telefone, parecia gritar e apontava dedos pra todas as direções. Se ele tivesse um infarto ali e morresse perderia qualquer argumento, estivesse ou não com razão, qual o motivo pra gritar e apontar dedos? Seria necessário?
Uma moto passou ao seu lado quase levando o retrovisor. Ele pensou em abrir a porta e gritar pro motoqueiro ir se danar. Pensou no infarto e refletiu. De que adiantaria? Suspirou pensou em relaxar e acender um cigarro. Mais uma vez o carro andou pouco. Ao longe viu sirenes. Andou bem mais que antes e pode ver um acidente. Um corpo coberto por plástico e um outro tentando ser reanimado por paramédicos. Ficou mais calmo.
De que adiantaria ficar nervoso, mais estressado no trânsito? Estava com sorte por poder estar ali controlando sua paciência. Diferente da pessoa que estava sob o plástico preto, que não veria o dia surgir no dia seguinte e nem reclamaria mais.
Logo depois começou a chover. Isso iria dificultar mais as coisas. Pelo menos quando chegasse em casa poderia aproveitar um banho quente e uma boa caneca de café. Isso o tranquilizou, chegou até a sorrir.
Obs:Práticas pra escrever: tentando improvisar através de uma imagem.

