O PAIS DA FOME
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O PAIS DA FOME

As metrópoles estão fervendo, mas o vapor incendiário não vem do caldeirão do Hulk, o fervor é consequência dos milhares de desempregados que se amontoam diariamente nas trincheiras da sobrevivência, ou parafraseando o Rapper Criolo: as ruas estão cheias de almas com barrigas tão vazias.

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A fome é uma degeneração social que persegue historicamente o povo brasileiro. Graciliano Ramos em Vidas Secas e Jorge Amado em Seara Vermelha denunciaram os dramas da pobreza na primeira metade do século XX. Infelizmente, viramos a chave do milênio e mesmo assim continuamos a conviver com essa ferida aberta que segue corroendo o nosso projeto mal concebido de nação.

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O povo tem pressa, tem fome e tem IRA, e certamente as tensões de classe farão ruir todo Ultraje a Rigor das camadas dominantes, visto que é impossível ser Racional como Tim Maia ou Racionais como Mano Brown quando não se tem o que comer. Pois, a fome é amiga íntima do desânimo, e por consequência, inimiga mortal do pensar. Ainda assim, sigo torcendo para que um dia ela se torne o potencial Inimigo do Estado, tal qual Will Smith protagonizou no filme homônimo.

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Em um país marcado pelos privilégios de classe, comer é um direito concedido para poucos. Portanto, já que no Brasil classe e raça são marcadores bem definidos, temos a conclusão de que os famintos têm cor, tem nome e sobrenome, além de ocuparem os mesmos espaços geográficos, seja na Favela do Jacarezinho/RJ, ou nos barracos de madeira nos confins do Parque Verde 3 em Camaçari BA.

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É impossível negar o quão violento é a fome, arrisco-me a afirmar que trata-se de um instrumento de crueldade, é a tortura para além dos porões do DOI-CODI. Mas como toda ação desencadeia uma reação, a fome acaba por se tornar o espectro silencioso e vingativo que ronda os condomínios de luxo, ou como diria o mestre Milton Santos: "Existem apenas duas classes sociais, as do que não comem e as dos que não dormem com medo da revolução dos que não comem".

 

Texto: Luis Henrique Cabral