O vento gelado que sopra no meu rosto traz a sensação de nostalgia.
Em poucos segundos, estou voltando no tempo.
Olhando pela janela, sinto por um momento que estou visitando o passado.
Já fazem alguns anos, embora pareça que foi ontem.
Seriam somente pensamentos, ou seriam angústias reais?
Seriam desejos, ou seriam medos?
De tudo o que passei um dia,
de tudo o que desejei,
de tudo o que fiz e muito mais do que não fiz.
Seria isso nostalgia daquele tempo?
Esse sentimento esmagador que sinto ao olhar por essa janela?
Uma garota perdida em si.
Uma garota que já não sabia o que sentir.
Uma imaginação solta;
Via naquela cruz vermelha da igreja uma história romântica sobre vampiros “mas se você decidir que sim, deverá abrir mão de tudo. renunciar a tudo. sim, era sua resposta. eu aceito”
Via naquele terreno cheio de mato uma história romântica sobre um amor proibido “é perigoso ficar comigo, você estará em risco assim como sua família. você precisará sumir e se afastar. sim, era sua resposta. se eles ficarem bem eu irei”
Sempre sobre partidas.
Sempre sobre ela.
Querendo ser salva de alguma forma. Querendo na pior hipótese e versão de vida, sentir-se viva.
Olhar as estrelas e pensar em nada.
Olhar as estradas e pensar em tudo.
Por que me sinto assim? Por que estou aqui? Eu sei qual meu problema, mas por que não consigo mudar?
E é tão ruim. Tão ruim sentir-se desse jeito a respeito de si mesmo. Não ter fé em você. Não se amar e se sentir um nada.
E pensar no que aconteceria depois.
Depois de eu ir.
Depois de eu deixar de existir.
Eles irão entender?
Irão compreender ou se deixarão levar pela perda e se culparem?
Nada. É isso o que ela sentia.
Um nada. Era assim que ela se via.
Um nada. O que estava fazendo ali? Chorando escondida pensando em como seria sua vida se não fosse somente uma menina na janela, perdida.
E por um momento, é assim que me sinto novamente. Uma garota perdida. O sentimento de angústia retorna e é preciso respirar fundo para conseguir separar o passado do presente.
Aquela garota do passado precisa saber;
nós sobrevivemos e hoje vivemos.
nós estamos bem e tudo bem também às vezes não nos sentimos bem.
não somos robôs.
às vezes precisamos da tristeza para dar valor a alegria.
e é a verdade.
A sua maneira fui moldada também.
A nossa mistura, um lado yin e um yang. Estamos aqui e te agradeço por essa parte em mim. O sentir tão intenso que te deixava sem chão hoje me fez uma pessoa com empatia para com todos.
Ah, a velha nostalgia.
Um brinde a meu eu do passado A garota da janela que sentia nada, e a de agora que sente tudo e hoje contempla a escuridão estrelada.
Que hoje, percebe que uma não é nada sem a outra.
Duas metades que de vez em quando se encontram, e num ínfimo momento compartilham pedaços de seus universos que vivem dentro de si.

