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Escrevendo Devaneios

@wesleycurumim

No caos do cotidiano mergulho em meus devaneios

Perdido no caos, andando por aí captando essências...caminhando por um cotidiano de uma vida que não é minha mas poderia ser...

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RESTAURAÇÃO

Contos0h atrás

Eram duas horas da madrugada, um vento frio batia no vidro da janela. Léa dormia nua, aquecida sob as pesadas cobertas, Quinn vestia um short solto e olhava a rua deserta. Não conseguia dormir. Olhou para as próprias mãos, suspirou, vestiu o casaco, o jeans e amarrou a bandana na cabeça, o tênis branco calçado e saiu. Acendeu um Seven Stars e seguiu solitário pela rue De La Cité. Rumo à catedral de Notre Dame. Usou a entrada lateral na rue du Cloître-Notre-Dame. Com certa desconfiança o Monsenhor Chauvet lhe dera as chaves das portas laterais. Quinn não havia estabelecido um horário de trabalho. Algumas vezes entrava na catedral antes das 7 da manhá e saía depois das 18 horas, outras vezes ficavam toda uma madrugada por lá e não aparecia durante o dia. A desconfiança do Monsenhor só desapareceu quando um dia, passado duas semanas do prazo dado pelo Monsenhor, ele entrou na saleta onde Quinn restaurava o quadro e viu o trabalho bem feito. Não era possível que o próprio Blanchard havia descido dos céus e refeito a tela. Quinn nada disse. Ele entrou na saleta e no silêncio, acendeu as luzes especiais, descobriu o carrinho com as tintas e se pôs a admirar a tela. Quinn olhava a tela com as mãos atrás do corpo, um pincel girando entre os dedos. Havia cuidado do rasgo na tela, e depois se dedicou no ardo trabalho de retirar a fuligem, poeiras e sujeiras provocadas pelo incêndio. Concluído, ele trabalhou na remoção do verniz amarelado e ainda mais danificado. Usou uma quantidade diluída de solvente para isso. O verniz, danificado, atrapalhava a pintura da tela. Deixa as cores frias demais ou quentes em exageros e perdia a essência do pintor. Agora faltava apenas frazer uns retoques de tinta e cobrir com o verniz. Levou um mês inteiro para estudar o estilo de pintura de Jacques Blanchard. Mas apesar do desafio e dificuldade, havia tido um excelente mestre. Colou em prática seu trabalho. Usando uma bandeja de isopor combinou as cores e se concentrou, mergulhou no silêncio de catedral e na tela na sua frente. Terminou por volta das nove da manhã. Era uma pena algumas coisas não poderem ser reparadas como a essa tela. Pensou.

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A SURPRESA E O DESEJO

Contos0h atrás

Ela se vira com os longos cabelos anelados para mim enquanto as mão me procura e para no meu peito. Abre os olhos estreitando-os e morde o lábio inferior quando me vê observando-a. Se aproxima e lambe o meu peito, subindo para o meu pescoço aprofundando em minha boca. A mão procura entre as minhas pernas meu desejo que se retesa com a maciez que me esfrega. E por picardia maliciosa se levanta nua e acende um cigarro me olhando com um olhar interrogativo e depois solta a fumaça pelo ar. Passa o dedo entre as pernas, o chupa, toma o resto do rum que sobrou no meu copo, veste a saia sem calcinha, a pequena blusa sem sutiã, os saltos altos e sai, batendo a porta me deixando na cama. Aquela preta sabe movimentar as ancas como ninguém, uma boca macia que não queria nunca mais sair de dentro dela! Segunda feira vazia... Já era uma merda a segunda-feira. Acordar sem a aquela maravilhosa mulher ao seu lado era uma tortura. Ela deixou o cheiro dos seus cabelos no travesseiro. As marcas do seu corpo nos lençóis... que mulher, santo Deus!!!! Ele se senta na cama e olha o quarto vazio. Na porta aberta do banheiro o lençol no chão. Pegou- o e cheirou. Ele a teve na cama e na mesa da sala, o lençol teve seu cheiro, esteve enrolado naquele corpo negro maravilhoso foi o último tocou nela. Suspirou e foi ao banheiro. O rosto marcado, o bigode despenteado. Entrou no chuveiro e deixou a água molhar o corpo. Olhou as mãos.

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PRESO NO TRÂNSITO DE UMA NOITE DE SEXTA

Crônicas0h atrás

O céu estava pesado, sem estrelas ameaçando chover a qualquer momento. Ele estava preso num trânsito caótico. Era 18:45pm de uma sexta feira. Do vidro do carro olhava as luzes dos faróis, dos apartamentos dos prédios. Parecia que as estrelas haviam descido do céu. Ligou o rádio e ficou ouvindo Raul Seixas. Sorriu e concordou Raul tinha razão era melhor mesmo ser essa metamorfose ambulante do que ter uma opinião formada sobre tudo. Pelo menos a metamorfose lhe pensava pensar sobre qualquer besteira e ter suas dúvidas. O carro andou uns poucos centímetros. Olhou os carros vizinhos. Pessoas conectadas e estressadas compartilhavam com ele o trânsito caótico. Um executivo num Honda civic discutia ao telefone, parecia gritar e apontava dedos pra todas as direções. Se ele tivesse um infarto ali e morresse perderia qualquer argumento, estivesse ou não com razão, qual o motivo pra gritar e apontar dedos? Seria necessário? Uma moto passou ao seu lado quase levando o retrovisor. Ele pensou em abrir a porta e gritar pro motoqueiro ir se danar. Pensou no infarto e refletiu. De que adiantaria? Suspirou pensou em relaxar e acender um cigarro. Mais uma vez o carro andou pouco. Ao longe viu sirenes. Andou bem mais que antes e pode ver um acidente. Um corpo coberto por plástico e um outro tentando ser reanimado por paramédicos. Ficou mais calmo. De que adiantaria ficar nervoso, mais estressado no trânsito? Estava com sorte por poder estar ali controlando sua paciência. Diferente da pessoa que estava sob o plástico preto, que não veria o dia surgir no dia seguinte e nem reclamaria mais. Logo depois começou a chover. Isso iria dificultar mais as coisas. Pelo menos quando chegasse em casa poderia aproveitar um banho quente e uma boa caneca de café. Isso o tranquilizou, chegou até a sorrir.

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