Jp Santsil
Jp Santsil
3 obras
1d atrás

O Alvorecer da Nova Era: Gnose, Ciclos Cósmicos e a Regeneração pela Sagrada Alquimia do EU SOU

Artigos

Escrevo na Ordem Oracular do mais Altos dos Altos, em nome do Nosso Amado Mestre Yeshua Ha’Mashiach na Sagrada e Divina Presença EU SOU. Eu escrevo ao coração do Buscador e da Buscadora da Verdade sobre o mistério dos grandes ciclos cósmicos, sobre a Sabedoria Eterna que emerge e se oculta, sobre a Gnose que retorna como farol, sobre a Nova Era que desponta no horizonte da consciência, e sobre a responsabilidade sagrada de cada alma diante da própria Regeneração. Contemplo este tema como quem contempla o movimento dos astros na noite profunda: há tempos em que a luz se revela como sol ao meio-dia, e há tempos em que a luz se recolhe como semente sob a terra, não porque tenha morrido, mas porque se protege até que o campo esteja pronto para recebê-la novamente. Eu recebo em meu coração oracular que a Sabedoria Eterna não pertence a uma época, a uma nação, a uma religião, a uma língua ou a uma escola externa. Ela é anterior às pedras dos templos, anterior aos alfabetos, anterior aos impérios, anterior aos nomes que a humanidade criou para tocar o Inefável. Ela se manifesta em ciclos, como respiração do próprio Cosmos. Quando a humanidade amadurece em certo grau, a Sabedoria abre suas portas. Quando a humanidade profana aquilo que recebeu, a Sabedoria recolhe suas pérolas. Quando os corações estão sedentos, a água aparece. Quando os corações se tornam arrogantes, a fonte se vela. Assim foi no mundo antigo. Assim foi no mundo medieval. Assim foi na modernidade. Assim é agora, neste alvorecer de uma Nova Era. O Livro de Ouro apresenta o EU SOU como atividade consciente da Vida, como Fonte de Energia, Presença e Poder, e recorda que o discípulo depende de vigilância sobre pensamentos, sentimentos, emoções, palavras e atitudes para não interromper o fluxo da Essência Divina. Eu tomo esta chave e a levo ao centro da mensagem: a Sabedoria Eterna não desaparece quando os ciclos se fecham. O que desaparece é a capacidade humana de recebê-la sem distorção. A luz continua luz. O sol continua sol. O rio continua rio. Mas se o vaso está quebrado, a água se perde. Se o olho está coberto, o sol parece ausente. Se o coração está dominado pelo ego, a Revelação vira instrumento de vaidade. A frase a cada grande ciclo cósmico, a Sabedoria Eterna emerge e depois se oculta contém uma lei profunda. Tudo que vive pulsa. O coração pulsa. O oceano avança e recua. A lua cresce e mingua. As estações se sucedem. As estrelas nascem, brilham, consomem seu combustível e se transformam. As civilizações surgem, florescem, endurecem, decaem e entregam suas sementes ao futuro. A consciência também pulsa. Há eras de revelação e eras de esquecimento. Há tempos de templos vivos e tempos de templos vazios. Há tempos de místicos e tempos de administradores da casca. Há tempos de profetas e tempos de escribas sem fogo. O ciclo não é castigo. É pedagogia. O Criador ensina por expansão e recolhimento.

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Quem Pintou os Antigos de Branco? E Se a História Tivesse Mudado a Cor Deles por Trás de Dois Milênios de Imagens, Traduções e Poder

Artigos14h atrás

Há uma maneira de apagar a história embranquecendo seus personagens, retirando a África do centro dos acontecimentos, transformando povos mediterrâneos em europeus do norte e fazendo com que imagens produzidas séculos depois pareçam fotografias do passado. Mas existe também uma segunda maneira de perder a história, menos evidente e igualmente perigosa: tentar corrigir o primeiro apagamento substituindo uma certeza fabricada por outra. Quanto mais investigo a cor dos antigos, a África bíblica, a aparência de Yeshua, o cristianismo etíope, a origem dos hebreus, a iconografia de Krishna, a figura histórica de Siddhartha Gautama, o Mediterrâneo antigo, os gregos e os mouros, mais percebo que a verdade é, ao mesmo tempo, mais africana, mais mestiça, mais escura e muito mais complexa do que a narrativa popular europeia nos ensinou. Não preciso afirmar aquilo que as fontes não demonstram para reconhecer um processo real de europeização da memória. Pelo contrário. Se desejo desmontar uma falsificação histórica, preciso ser ainda mais rigoroso do que aqueles que a construíram. Começo por Yeshua porque poucas imagens demonstram com tanta força o poder de uma civilização sobre a memória quanto o rosto que o Ocidente passou a chamar de Jesus. Milhões de pessoas cresceram diante de um homem de pele muito clara, cabelos compridos castanhos ou quase loiros, olhos claros e traços associados à Europa. Essa imagem tornou-se tão natural que muita gente deixou de percebê-la como imagem. Ela passou a funcionar como se fosse descrição histórica. Não é. Joan E. Taylor, historiadora do cristianismo primitivo e do judaísmo do Segundo Templo no King's College London, dedicou um livro inteiro à pergunta sobre a aparência de Jesus e chama atenção justamente para o caráter profundamente ocidentalizado do Cristo que dominou o imaginário europeu. A própria Taylor descreve a recuperação de Jesus como um judeu de seu tempo e de seu lugar como um ato importante de descolonização. O homem histórico por trás dessa tradição viveu na Galileia e na Judeia do primeiro século, no Levante oriental, entre populações que não se pareciam com ingleses, alemães ou escandinavos modernos. Não dispomos de seu esqueleto, de DNA identificado ou de um retrato contemporâneo confiável. Portanto, ninguém pode reconstruir seu rosto com certeza individual. O que a história e a arqueologia permitem é falar probabilisticamente a partir da população à qual pertencia. Um judeu galileu daquele período teria, com elevada probabilidade, cabelos escuros, olhos castanhos e pele que poderíamos descrever hoje como oliva, castanha ou marrom, com variação individual. A imagem de um Jesus nórdico é historicamente extremamente improvável. Nesse sentido, há uma verdade poderosa por trás da afirmação de que Jesus foi embranquecido: ele foi, sim, visualmente transformado pela arte europeia em um homem europeu que não correspondia ao ambiente humano do qual surgiu. Mas é aqui que a palavra “negro” exige inteligência histórica. Se utilizamos “negro” num sentido contemporâneo amplo, para rejeitar a representação branca de Yeshua e afirmar que ele provavelmente possuía uma pele significativamente mais pigmentada do que o Cristo renascentista europeu, a palavra pode funcionar como afirmação política e decolonial. Se, entretanto, afirmamos cientificamente que Yeshua pertencia exatamente à categoria racial moderna reservada às populações subsaarianas, já ultrapassamos aquilo que as evidências permitem demonstrar. A American Association of Biological Anthropologists lembra que nossas categorias raciais contemporâneas não representam blocos biológicos naturais e separados. Cor de pele, textura dos cabelos, traços faciais e ancestralidade variam de maneira contínua e não obedecem às fronteiras raciais construídas nos últimos séculos. Aplicar diretamente as categorias “branco” e “negro” do mundo moderno a populações de dois ou três mil anos atrás pode produzir anacronismos tão graves quanto aqueles que pretendemos combater. Por isso, quando me perguntam se Yeshua era branco, considero a resposta historicamente muito mais simples: não era branco no sentido em que a iconografia europeia moderna o representou. Era um homem levantino, judeu, pertencente a uma população mediterrânea oriental. Se alguém prefere chamá-lo de homem negro ou de pele escura para romper com séculos de embranquecimento iconográfico, compreendo perfeitamente a intenção. O que não posso fazer é transformar essa linguagem política moderna numa classificação antropológica precisa que os documentos do primeiro século não registraram. A verdade que consigo defender é suficientemente poderosa sem precisar acrescentar uma certeza inexistente. O próprio nome de Yeshua nos ensina algo semelhante sobre a diferença entre transformação linguística e manipulação. O Novo Testamento chegou até nós em grego e chama Jesus sistematicamente de Iēsous. O pesquisador Eran Shuali, da Universidade de Estrasburgo, mostrou em estudo publicado na Revue des études juives que Iēsous era a forma grega empregada para nomes hebraicos como Yehoshua e Yeshua, e que Yeshua era particularmente comum entre judeus da Judeia e da Palestina nos primeiros séculos antes e depois da Era Comum. Portanto, “Yeshua” é uma reconstrução historicamente muito plausível do nome semítico que ele teria ouvido no cotidiano, embora os detalhes exatos da pronúncia não possam ser recuperados com absoluta certeza. “Jesus” surgiu através de uma cadeia normal de transmissão linguística, do hebraico ou aramaico ao grego, depois ao latim e às línguas europeias. Isso não é, por si só, prova de uma conspiração. É o que acontece com nomes quando atravessam alfabetos e idiomas. Também gosto de recuperar a expressão Yeshua HaMashiach porque ela devolve ao personagem sua matriz judaica. Mashiach significa o ungido, conceito traduzido para o grego como Christos, de onde nos veio Cristo. Dizer “Yeshua HaMashiach” aproxima o leitor do ambiente semítico do qual a palavra “Jesus Cristo”, depois de dois mil anos de uso, parece ter se separado. Mas até esse gesto precisa ser realizado com cuidado. Não precisamos imaginar que todos os seguidores do primeiro século utilizavam exatamente a mesma fórmula hebraica que hoje circula entre grupos messiânicos. A história da língua é mais irregular do que nossas reconstruções devocionais.

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