NÃO CONSEGUIMOS BATER ASAS

NÃO CONSEGUIMOS BATER ASAS

Nos empatamos com um papagaio no fio de alta tensão. Meu filho apontou. Um cometa descaiu em algum lugar. Uma mulher canta para Deus na praça. Fiquei parado. Andei, parado. Nunca andei depois disso. Faltou energia. Foi Deus que cortou. Ouvi.

 

E os laços?

 

A corda foi rompida.Dizem que a cor do papagaio era transparente e nos reunimos diante da fogueira para apreciá-lo ressurgir. Papai, não podemos jogar pássaros no fogo. Ventos rugiram contra nossa espécie. Por que tantas orações ineficientes? Ninguém salvou o animal da rede elétrica e ficamos salvando-o em memória.

 

Nosso filho foi dormir elétrico.Não soubemos explicar o valor das cinzas.

 

Lavamos roupas o resto da noite e conversamos sobre encomendas dos Correios. Providenciamos vinis que ainda iria chegar para então ouvir Prince em uma reação involuntária.

 

Provavelmente não houve tempo de registrar nossa dignidade ou não havia interesse. Éramos só bonecos faladores incapaz de rasantes.

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