Dois Olhos, Nenhuma Voz
Meus sentimentos e versos nascem quando os dedos entram fundo em minha fala, puxam as palavras; saem desesperadas, prontas para formá-las.
A sede dilacerante que atormenta minha fala: palavras embrulhadas, uma ambiguidade acabada, palavras rasas.
O corvo tem um direcionamento, um sofrimento, dois olhos em seu tormento; assim como são escuros, veem o futuro — o fim que consome tudo.
As folhas que brotam ao chão são como palavras sem razão, como poemas sem fundamento, palavras jogadas fora com ressentimento.
Minha escrita se torna rasa e esvaziada quando não há algo que toque minha alma, quando não sinto nada profundamente.
O corvo devora as palavras da minha mente e deixa meu coração apodrecer — vazio, sem falas e versos; os poemas enfraquecem, até mesmo em outros universos.
Corvo de dois olhos, devolva minhas palavras, devolva minhas falas e o coração de onde arrancas meus singelos e sinceros amores.
Minha boca escorre e pede, encarecidamente, por alguém que dê motivo às minhas escritas — mesmo que venha em forma de ferida, desde que dê sentido à minha vida.
