A maquiagem carregada no rosto, a vergonha estampada na cara. Dezesseis anos. Seios pequenos, corpo esguio. Denise ajeita os cabelos em frente ao espelho, sorri, enquanto olha para o celular com a tela apagada. Nenhuma mensagem, apenas lembranças.
Na rua, ela está rodeada. Dizem que são amigos, mas não passam de almas penadas, perdidas. O esmalte das unhas se destaca ao exibir o copo gigante, não maior do que ela. A mão nas costas tenta esconder o cigarro, mas a fumaça denuncia.
Um menino no beco, outro encostado no muro. São tantos beijos e abraços que Denise parece perdida no meio de tantos amassos, tantas línguas, outras loucuras.
O som alto das caixas. A música invadindo os ouvidos. A alegria da dança. A decepção de uma noite perdida.
De volta para casa, Denise tira a sandália, relaxa os pés. Nem parece que a menina menor de idade, de seios pequenos e corpo esguio, um dia fora uma criança.
No quarto escuro, ela se deita em sua cama. O lençol da Barbie cobre o seu corpo.
No dia seguinte, enquanto o sol entra pela janela, Denise desperta. O rosto ainda carrega as marcas da última noite. O que restou da maquiagem manchou o travesseiro. No canto do quarto, a mochila da escola; pendurado em uma cadeira, está o uniforme.
Mais uma semana de estudos. Mais uma semana em que a escola não tem a mínima importância. É o último ano, o último semestre.
Dentro da sala de aula, ela se sente prisioneira. Na rua, ela se sente livre.
Sentada no fundo da sala de aula, ela cochila, escondendo o rosto enquanto a professora fala. Denise não liga para o futuro. Ela acha que vai ficar assim para sempre. Fim...
