sejamos sinceros, a esta altura do jogo eu já deveria ser melhor do que isso

sejamos sinceros, a esta altura do jogo eu já deveria ser melhor do que isso

quem vai me amar tanto assim de novo?

eu vou me sentir segura algum dia de novo?

alguém vai mentir tantas vezes na minha cara de novo?

eu vou secar o pranto de outro homem por outra mulher de novo?

eu vou ficar triste com o melhor resultado que eu poderia ter de novo?

eu vou cantar alto sem chorar outra vez?

eu vou sorrir sem chorar outra vez?

eu vou poder ser tudo que eu sou e mais um pouquinho outra vez?

eu vou morrer e viver outra vez?

eu vou me arrepender de ficar outra vez?

eu vou me arrepender de ter ido outra vez?

alguém novo vai me dizer que não me ama o bastante de novo e de novo e de novo e de novo?

ou eu vou ter que descobrir isso sozinha de novo e de novo e de novo e de novo?

quantos sacos de sal já foram?

quantas músicas do lupe de lupe eu já me neguei a escutar a esta altura do jogo?

dá pra eu descer, motorista?

não quero me arrepender como a princesa se arrependeu, não tem volta.

e se eu dormir no chão?

e se eu dormir na sala de novo e de novo e de novo e de novo?

e se me pagassem o que devem?

e se eu perdesse o controle? melhor, e se eu nunca o tiver tido?

e se eu mandar e ele obedecer?

e se ele me matar?

e se não for tão ruim assim?

e se elas ouvissem os barulhos, e as sensações e o lençol da cama?

sem “e se”.

mas e se eu fosse no show do the lumineers?

alguém vai se importar de novo?

quem vai me levar pra são paulo, com vontade?

só eu, né?

que me visitem as borboletas, que levem embora o que não me brilha mais os olhos.

particularmente eu prefiro o violeta. previsível demais pra você?

acho que eu tenho um tipo.

quem decide isso?

é deus de novo e de novo e de novo e de novo?

não, são os pais, né? é tudo um meme dos dois. saca?

 

eu não aguento mais abraçar as pessoas pela última vez

 

e se eu também estiver num livro e se a história acabar eu morrer?

que a minha amiga me pague o que deve.

que eu não deva nada.

que eu pague o que der e vier.

que perdoem a minha ignorância.

que eu não me torne escrava dela.

que eu não me torne escrava minha!

que o cheiro de cigarro saia do meu nariz e entre pela minha boca,

e o desejo pare de escorrer pelos meus olhos e se prenda entre os meus dedos.

a música não é muito boa, mas tem bons momentos.

eu queria ser o maluquinho mais velho.

 

minhas pernas doem, e deviam mesmo doer

por que será?

queria que o gustavo respondesse sim.

queria que minha mãe não tivesse me decepcionado

queria que a jezebel não tivesse fujido

queria que o thales não tivesse dito aquilo

queria que as cartas tivessem razão

queria queria queria queria, bobagem

 

vai ser tão bom algum dia que até os vizinhos acenderão um cigarro?

 

minha porta mede mais que 1,93m?

porque no termo nunca é feira?

eu devia ter ido na feira hoje,

talvez o peixe tenha estragado.

e o feijão? merda, o feijão. eu preciso de bacon e cheiro verde pra valer a pena.

minhas pernas doem, e deviam mesmo.

pra onde mais poderei levá-las?

e se ele salgar demais o macarrão com queijo?

e se ele se casar com uma evangélica?

será que tá dando certo até hoje?

ela não deve ter dormido na sala pra dar certo.

quem mais faria isso?

quem se gosta tão pouquinho?

 

e se eu fosse a jarra de abacaxi?

e se eu terminasse o tarot???

só faltam duas semanas, como assim o tempo passou?

toma vergonha nessa cara!!!!! sai correndo, vai,

corre, corre, corre mais rápido, vai, foje, luta, ou fuga, banho de água gelada.

correr pra onde, mulher?

eu gostei da novela nova, merda. minha mãe não estaria orgulhosa.

queria nunca ter feito a margô sofrer. será que ela me perdoa? eu me perdoo?

é fresno que tá tocando agora?

 

toca alguma coisa no piano e acaricia a minha coxa.

não me mande fotos suas sem toalha na cabeça.

ninguém vai entender essa merda.

eu não sou artista, só tenho uma carinha bonitinha de mulher maluca.

não confunda!

quem tá com uma furadeira ligada a essa hora?

lembra de árvore, vai devagar, lembra do buquê, vá cheirosa, lembra do rato, vá protegida, lembra da vida, vá com calma.

caralho, um pagode do nada.

 

saudade da casa da minha avó,

de ser mais fácil tudo.

alguém por favor quebre a porra do motor desse carrossel desgraçado.

você não vai saber, mas eu rimei esse último verso com a música.

lembra de quando eu implorava por carinho?

lembra que de você nunca vinha sem pedir?

foi sua mãe, né?

a minha não. da minha era sempre.

queria alguém pra massagear meu rosto, meus pés, minhas pernas com dor.

e deviam, mesmo.

será que o antônio fagundes tem memória fotográfica?

nada se afina entre nós & eu tentei, meph.

 

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gosto da luminária como está agora, gosto do tom do meu quarto, do tom da luz na minha pele, do gosto nos meus dedos, da esfirra de queijo que eu finalmente comprei, de groselha, da vista do meu apartamento, de fumar no terraço, de festa na laje, de bolo de aniversário sem ameixa, de receber o sabor de bolo que eu escolhi, de a grande família, de partes de mim, de versões que eu já fui, sinto saudade de tudo. será que eu vou dormir sozinha hoje? bom pra lari. torço por ela. não é propiciar, é proporcionar. e eu prefiro a luz rosa ao invés da azul. e se eu também for dormir fora hoje?

 

preciso dormir, porque agora eu corro por mim.

e as minhas pernas doem,

mas não deveriam, merda!

 

puxar uma cadeira pra vida e tomar uma cerveja no bar

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