Do outro lado da janela

Pensamentos
2d atrás

Ao olhar pela janela, minha vida aqui dentro parece insignificante. Vejo pessoas indo trabalhar, crianças brincando na rua, mães com seus bebês e casais que parecem nunca se desentender.Por alguns instantes, fico imaginando suas histórias. Para onde vão? O que pensam quando chegam em casa? Será que também existem dias em que se sentem perdidos, mesmo quando tudo parece estar bem?Talvez eu veja apenas pequenos fragmentos de vidas que desconheço. Sorrisos que não revelam preocupações, mãos dadas que não contam as discussões e crianças que brincam sem saber dos problemas que as esperam quando o sol se põe.E então olho para dentro de mim.Minha casa, meu amor, minha vida simples. Não há nada aqui que eu deseje trocar. Amo o meu pequeno mundo, mesmo que, às vezes, eu sinta vontade de descobrir o que existe além dele.Talvez seja estranho sentir isso. Amar o lugar onde estou e, ainda assim, imaginar como seria estar em tantos outros lugares.Não quero a vida de ninguém. Só me pergunto quantas vidas cabem neste mundo e quantas histórias passam diante dos meus olhos sem que eu jamais conheça seus finais.E enquanto observo tudo pela janela, percebo que também sou uma dessas pessoas. Alguém com sonhos, sentimentos e uma história que continua acontecendo, mesmo nos dias em que parece que nada acontece. «Talvez a minha vida não seja insignificante. Talvez eu só esteja tão acostumada a olhar para o mundo pela janela que, às vezes, me esqueço de que também faço parte dele.»

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DESABAFO

Pensamentos
923d atrás

Ainda parece estranho falar a respeito, mas vou publicar um livro. Anos atrás, eu pensava que só conseguiria essa coisa - nunca chamei de sonho - quando estivesse na melhor versão de mim mesmo. Pensava que a vida era uma escada: você sobe um pouco ou desce muito, mas sempre um ou outro. E depois tropeça e morre na queda. Quando subir os degraus necessários, imaginava o Davi com sua cabecinha de 17 anos, hei de ser um escritor diligente, que vive 20 horas da escrita, dorme 4 e sonha e acorda para escrever o que sonhou; poeta sensível, cirúrgico em cada palavra, criando a cada dia uma história mais fodidamente viciante que a outra. Praticamente um Stephen King sem cocaína. Pensava que teria orgulho dos meus poemas, contos e romances que escrevesse, eles seriam meus filhos, meu time de futebol, minha própria linha de ônibus, meu império onde se leria minhas palavras incríveis, mesmo que elas fossem ruins. Isso complica ainda mais considerando que, naquela época, só de imaginar em chegar no andar do "tornar-se um escritor", implicava já ter subido toda uma sorte de outros degraus: já teria passado o andar dos 6 gominhos claramente visíveis no abdômen; falar mais de três idiomas seria meta superada; autoestima sólida e confiável? Desce o elevador que você acha; amar alguém enquanto ama a si mesmo, ou seja lá o que as músicas cantam sobre amor próprio. Enfim, o título já entrega tudo.

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