O desespero de quem ainda te espera

O desespero de quem ainda te espera

Eu sinto uma escuridão em você.

Não é ausência de sentimentos. É medo. Medo de se entregar, de baixar a guarda, de permitir que alguém atravesse as muralhas que você construiu ao redor do próprio coração. Medo de amar novamente e descobrir que, no fim, tudo o que restará serão os mesmos destroços que você passou tanto tempo tentando reconstruir.

Mas eu preciso que você me escute, nem que seja pela última vez.

Por favor, não mate o nosso amor antes mesmo de nos dar a chance de descobrir até onde ele poderia nos levar.

Não me condene a ser apenas mais uma possibilidade que você deixou escapar por medo de sofrer. Não transforme o que poderia ser a história mais bonita das nossas vidas em mais uma lembrança dolorosa que, daqui a alguns anos, nos fará pensar no que teria acontecido se tivéssemos sido um pouco menos covardes.

Eu sei que alguém passou pela sua vida e deixou feridas que você ainda tenta esconder. Sei que houve promessas que se transformaram em decepções, abraços que perderam o calor e palavras bonitas que, no fim, não significaram absolutamente nada. Sei que você entregou partes de si a alguém que não soube cuidar delas.

Mas me responda: até quando você vai permitir que os erros de alguém que te machucou decidam o destino de alguém que só queria te fazer feliz?

Eu não fui quem te feriu. Por que preciso pagar por cicatrizes que não causei?

Eu não quero ser mais um motivo para você chorar. Quero ser a pessoa que ficará acordada ao seu lado quando o mundo parecer insuportável. Quero conhecer suas versões mais bonitas, mas também aquelas que você esconde de todos. Quero estar presente nos dias em que o seu sorriso for verdadeiro e, principalmente, naqueles em que você não encontrar forças nem para fingir que está tudo bem.

Não prometo um amor perfeito. Prometo um amor que não fuja na primeira dificuldade, que não transforme o silêncio em castigo e que não faça você implorar por migalhas de atenção enquanto existe alguém disposto a te oferecer o coração inteiro.

Mas como posso te provar tudo isso se você sequer me permite tentar?

Como posso te mostrar que existe um lugar seguro em mim se você continua me mantendo do lado de fora?

E o que mais me destrói é saber que talvez você nunca compreenda a dimensão do que sinto. Talvez, para você, eu seja apenas alguém com quem gosta de conversar, alguém que te faz rir de vez em quando, alguém cuja presença é agradável, mas dispensável.

Você não imagina o que acontece comigo quando o seu nome aparece na tela do meu celular.

Por alguns segundos, tudo dentro de mim se ilumina. É ridículo, eu sei. Depois de tantas noites sentindo sua falta, depois de tantas vezes prometendo a mim mesmo que não criaria expectativas, basta uma notificação sua para que meu coração volte a acreditar em coisas que minha razão já desistiu de defender.

E então eu respondo.

Espero.

Olho novamente para a tela.

Espero mais um pouco.

Até perceber que você esteve ali, que provavelmente viu minha mensagem, mas escolheu não responder.

E é nesse instante que alguma coisa dentro de mim desaba.

A cada mensagem minha que fica sem resposta, uma lágrima escorre dos meus olhos. E o pior não é chorar por você. É chorar sabendo que talvez você nem sequer imagine que estou chorando.

Sinto falta das nossas conversas diárias. Das nossas risadas por motivos idiotas, das provocações sem sentido, das pequenas discussões e até daquela raiva que você me fazia passar quando conseguia me tirar do sério. Hoje, eu daria tudo para ter de volta até mesmo os momentos que, naquela época, pareciam insignificantes.

Porque eram nossos.

E eu não sabia que um dia sentiria tanta saudade de coisas tão pequenas.

Nunca imaginei que sentiria falta de uma mensagem, de uma brincadeira, de uma conversa que atravessava a noite sem que percebêssemos o tempo passar. Nunca pensei que o silêncio de alguém pudesse ocupar tanto espaço dentro de mim.

Mas agora eu sei.

Sei como é acordar e procurar você nos primeiros pensamentos do dia. Sei como é querer contar alguma coisa engraçada e lembrar, segundos depois, que já não tenho a mesma liberdade para te procurar. Sei como é ver algo que me lembra você e sentir aquele impulso absurdo de compartilhar, seguido pela tristeza de perceber que já não somos o que éramos.

O universo não colaborou com a gente.

Talvez tenhamos nos encontrado no momento errado. Talvez a vida tenha colocado obstáculos demais no caminho de duas pessoas que, por algum motivo, nunca conseguiram se afastar completamente. Talvez tenhamos sido obrigados a seguir direções diferentes quando tudo o que queríamos, mesmo sem admitir, era encontrar um jeito de continuar lado a lado.

E agora estou aqui.

Tentando entender como duas pessoas podem ter tanto para viver juntas e, ainda assim, acabar vivendo uma ausência que parece não ter fim.

Eu sinto sua falta de uma maneira que não cabe em uma simples mensagem. Sinto falta de quem você era comigo, de quem eu era com você e daquela sensação quase ingênua de que, enquanto estivéssemos conversando, alguma coisa no mundo ainda fazia sentido.

Hoje, eu me pego relendo nossas conversas antigas como quem visita uma casa abandonada onde um dia foi feliz.

Leio suas palavras. Relembro suas brincadeiras. Procuro algum sinal que talvez tenha passado despercebido, alguma frase que pudesse me explicar quando começamos a nos perder.

E, por alguns instantes, consigo esquecer que tudo mudou.

Quase posso ouvir sua voz novamente. Quase consigo imaginar você sorrindo do outro lado da tela. Quase acredito que ainda existe uma possibilidade de voltar para aquele lugar onde tudo parecia tão simples.

Mas então a realidade me alcança.

A conversa termina. A tela escurece. E eu volto a ser alguém que sente saudade de uma pessoa que já não está presente da mesma maneira.

É cruel perceber que as lembranças conseguem nos aproximar tanto de alguém que a realidade insiste em manter distante.

E sabe o que mais dói?

Eu ainda tenho tanta coisa para te dizer.

Ainda quero saber como foi o seu dia, o que te fez sorrir, o que te preocupou, o que você pensou antes de dormir. Ainda quero ouvir suas reclamações, conhecer seus planos, acompanhar suas pequenas conquistas e estar por perto quando as coisas não saírem como você esperava.

Ainda quero ser a pessoa para quem você corre quando o mundo te machuca.

Ainda quero ser o seu abraço depois de um dia difícil, a sua companhia nas noites intermináveis, o motivo daquele sorriso involuntário que aparece quando você percebe que alguém se importa de verdade.

Eu ainda quero tudo aquilo que a vida parece ter nos prometido sem nunca nos garantir.

E, por mais que eu tente disfarçar, por mais que eu diga a mim mesmo que preciso seguir em frente, existe uma parte de mim que continua esperando por você.

Uma parte que não aprendeu a desistir.

Uma parte que ainda acredita que, em algum momento, você vai olhar para tudo isso com outros olhos e perceber que talvez o amor não estivesse tão distante quanto imaginava.

Talvez estivesse nas nossas conversas. Nos nossos risos. Na intimidade que construímos sem perceber. Na maneira como conseguíamos transformar momentos comuns em lembranças que hoje significam tanto.

Talvez estivesse em mim.

E essa possibilidade me assusta.

Porque eu não quero passar anos imaginando como teria sido amar você de verdade. Não quero chegar ao futuro e descobrir que nós dois tivemos a oportunidade de viver algo extraordinário, mas deixamos o medo decidir por nós.

Não quero que um dia você esteja ao lado de alguém e, mesmo assim, sinta um vazio que não consiga explicar. Não quero que, em uma noite silenciosa, uma lembrança minha atravesse seus pensamentos e faça você se perguntar por que nunca tivemos coragem de descobrir o que existia entre nós.

Porque, se esse dia chegar, talvez eu já não esteja mais esperando.

Talvez eu já tenha aprendido a conviver com a ausência, a dormir sem procurar seu nome no celular e a guardar nossas lembranças em algum lugar do passado onde elas não me machuquem todos os dias.

Mas existe uma diferença entre superar alguém e deixar de desejar que as coisas tivessem sido diferentes.

E tenho medo de que, por mais que o tempo passe, você continue sendo aquela história que nunca consegui terminar.

Eu não tenho medo de te amar. Tenho medo de passar o resto da vida tentando esquecer alguém que nunca tive a oportunidade de amar como gostaria.

Por isso, às vezes, eu imploro para que você volte.

Não porque eu não tenha orgulho, nem porque desconheça o meu próprio valor. Mas porque existem sentimentos que não desaparecem só porque a realidade se tornou dolorosa. Existem ausências que não se preenchem com distrações, novos rostos ou promessas feitas a nós mesmos.

E existe você.

Você, que continua aparecendo nos meus pensamentos quando eu menos espero. Você, que consegue despertar esperança em mim mesmo depois de tantos silêncios. Você, de quem eu tento me afastar para não sofrer, mas para quem meu coração continua procurando um caminho de volta.

Eu sei que não posso obrigar você a sentir o mesmo.

Sei que o amor não deveria ser uma súplica, nem a presença de alguém deveria depender de insistências intermináveis. Sei que não existe declaração capaz de convencer um coração que não deseja ficar.

Mas eu precisava que você soubesse.

Precisava que entendesse que, por trás de cada mensagem que envio, existe muito mais do que palavras. Existe saudade. Existe medo. Existe a esperança quase desesperada de que você responda e, por alguns minutos, faça parecer que ainda não perdemos tudo.

Existe alguém aqui tentando encontrar uma maneira de chegar até você sem se despedaçar no caminho.

E talvez essa seja a parte mais triste de tudo: eu ainda consigo imaginar nossa felicidade com uma facilidade absurda, enquanto começo a ter dificuldade para imaginar como seria viver sem sentir sua falta.

Nós temos tão pouco.

Tão pouco tempo, tão poucas certezas, tantas coisas que nunca dissemos e tantas possibilidades que continuam suspensas entre aquilo que sentimos e aquilo que temos coragem de fazer.

E, ainda assim, eu continuo acreditando que poderíamos ter tudo.

Não o mundo inteiro. Não uma vida sem problemas. Apenas a chance de descobrir se duas pessoas que sentem tanta falta uma da outra podem, finalmente, parar de se perder.

Então, se ainda existe alguma coisa aí dentro, se em algum momento você também sentiu vontade de me procurar e conteve os dedos, se alguma das nossas lembranças ainda faz seu coração apertar, não deixe que o orgulho, o medo ou as feridas do passado decidam tudo por nós.

Não estou pedindo que me prometa uma vida inteira.

Estou pedindo apenas que não descarte a possibilidade de um amanhã.

Porque eu estou cansado de sentir sua falta em silêncio. Cansado de fingir que não espero por você. Cansado de transformar sentimentos enormes em mensagens pequenas, tentando não parecer intenso demais para alguém que ocupa tanto espaço dentro de mim.

Eu queria poder olhar nos seus olhos e dizer tudo isso sem precisar esconder as lágrimas. Queria que você enxergasse, por um instante, o quanto a sua ausência tem pesado nos meus dias. Queria que entendesse que não é apenas a sua presença que me faz falta, mas tudo aquilo que ainda poderíamos ser.

Eu queria você aqui.

Não em uma lembrança, não em uma conversa antiga, não em uma notificação que chega quando já estou tentando me acostumar com a sua ausência.

Eu queria você aqui, de verdade.

Queria que o universo, que tantas vezes pareceu trabalhar contra nós, finalmente nos concedesse uma oportunidade. Queria que, por uma única vez, a vida não nos obrigasse a escolher entre o que sentimos e o que temos medo de perder.

Mas, enquanto esse dia não chega, continuo vivendo nessa contradição dolorosa: tentando seguir em frente com os pés, enquanto meu coração permanece exatamente onde você me deixou.

E se algum dia você se perguntar quem foi que realmente quis ficar, quem foi que sentiu sua falta nos dias comuns, quem foi que guardou nossas conversas como se fossem pequenos pedaços de felicidade, lembre-se de mim.

Lembre-se de quem procurava motivos para falar com você, mesmo quando não havia assunto algum.

De quem sorria ao receber uma mensagem sua.

De quem sentia falta até das suas pequenas implicâncias.

De quem, mesmo sem saber se havia um futuro, continuava imaginando um nós.

Talvez eu nunca tenha sido a sua escolha.

Talvez eu tenha confundido a proximidade com a possibilidade de um amor que só existia inteiro dentro de mim.

Mas, se um dia você perceber que havia algo especial entre nós, espero que não seja tarde demais para reconhecer isso.

Porque eu não sei quanto tempo ainda vou conseguir viver entre a esperança de ter você e a dor de não ter.

Só sei que, enquanto escrevo estas palavras, uma parte de mim ainda deseja ouvir você dizer que também sentiu saudade.

Que também pensou em mim.

Que também quis voltar.

E talvez seja isso que mais me destrói: não saber se estou esperando por uma história que ainda pode acontecer ou tentando ressuscitar uma história que, para você, já terminou.

Eu não quero ser apenas alguém de quem você sentirá falta um dia. Quero ser alguém que você escolha enquanto ainda podemos viver tudo aquilo que sentimos.

Porque, no fim, não é a distância que mais dói.

É saber que talvez bastasse uma mensagem sua, um passo na minha direção, uma única demonstração de que eu não estou sentindo tudo isso sozinho.

E, mesmo assim, esse passo nunca chega.

Então eu continuo aqui, entre as lembranças do que fomos e os sonhos do que poderíamos ter sido, tentando encontrar forças para aceitar aquilo que meu coração ainda se recusa a compreender.

Eu sinto sua falta.

Mais do que deveria. Mais do que consigo explicar. Mais do que gostaria de admitir.

E, se algum dia você decidir voltar, talvez descubra que nunca precisei de grandes promessas para ser feliz ao seu lado.

Eu só precisava que você também quisesse ficar.

Porque, de todas as coisas que a vida poderia ter me negado, nenhuma dói tanto quanto a possibilidade de termos sido tão próximos de viver uma grande história de amor…

e termos nos perdido antes mesmo de descobrir se ela poderia ser nossa.

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