Essa talvez seja a última mensagem que eu escreva para você.
Não porque deixei de te amar.
Talvez esse seja justamente o problema.
Eu ainda amo.
E amar você se tornou uma espécie de doença silenciosa, dessas que ninguém consegue enxergar por fora, mas que vão destruindo tudo por dentro.
Nós nos conhecemos há tanto tempo que às vezes parece impossível acreditar que duas pessoas podem conhecer tão bem o caminho uma da outra e, ainda assim, acabar completamente perdidas.
Eu lembro de nós.
Do nosso momento.
De como tudo parecia certo enquanto acontecia.
E lembro principalmente de mim naquele dia.
Imaturo.
Covarde.
Convencido de que teria outra oportunidade.
Eu não quis um relacionamento quando deveria ter querido.
Achei que o tempo esperaria por mim.
Não esperou.
E hoje eu pago a conta de uma decisão que levou segundos para ser tomada, mas que permanece me cobrando há anos.
Quase três anos.
Quase três anos tentando aprender a existir sem você.
Até que você voltou.
E foi como abrir uma porta que eu passei anos tentando manter fechada.
Você voltou trazendo exatamente aquilo que eu mais queria ouvir.
Que ainda sente alguma coisa.
Que ainda pensa em mim.
Que vai terminar com ele.
Que vai voltar.
E eu acreditei.
Meu Deus...
Como eu acreditei.
Mas existe uma crueldade enorme em ouvir uma promessa quando você já está cansado demais para esperar.
Porque enquanto você decide o que fazer da sua vida, eu continuo parado no mesmo lugar.
Esperando.
Chorando.
Me recusando a conhecer alguém de verdade porque uma parte estúpida de mim ainda acredita que você vai cumprir aquilo que prometeu.
E enquanto eu espero, existe uma imagem que me destrói todas as vezes que aparece na minha cabeça:
você beijando outra boca.
A boca que um dia foi minha.
O abraço que um dia foi meu.
O corpo que um dia encontrou o meu como se o mundo inteiro pudesse desaparecer ao nosso redor.
E talvez essa seja a pior parte.
Não é apenas perder você.
É assistir outra pessoa ocupar o lugar que eu ainda sinto como meu, mesmo sabendo que não tenho mais direito algum sobre ele.
Eu odeio admitir isso.
Mas estou cansado.
Cansado de esperar por uma pessoa que talvez nunca volte.
Cansado de construir futuros em cima de promessas.
Cansado de acordar pensando em você e dormir tentando convencer meu coração de que amanhã será diferente.
Talvez isso seja dependência emocional.
Talvez seja amor.
Talvez seja apenas a incapacidade de aceitar que algumas histórias terminam mesmo quando ainda existe sentimento.
Eu não sei.
Só sei que dói.
Dói pra caralho.
E, no meio desse caos, apareceu alguém.
Uma mulher linda.
Alta.
Com olhos castanho-escuros que, quando encontram a luz do sol, parecem mudar de cor.
Por alguns segundos, eu esqueci você.
E isso me assustou.
Porque percebi que talvez ainda exista alguma coisa viva dentro de mim.
Talvez eu ainda consiga olhar para alguém sem procurar o seu rosto.
Talvez eu ainda consiga sentir alguma coisa que não seja saudade.
Mas ela também está machucada.
E eu não quero colocar outra pessoa quebrada dentro de uma história onde eu ainda estou tentando juntar os meus próprios pedaços.
Não seria justo com ela.
Não seria justo comigo.
Então eu recuei.
Talvez um dia.
Talvez, se você finalmente decidir.
Talvez, se eu parar de esperar.
Talvez eu encontre essa pessoa novamente.
Talvez eu descubra que existe alguém capaz de me escolher sem precisar que eu implore por um lugar.
Alguém que fique.
Alguém que não me deixe esperando por uma promessa.
Alguém que me ame na mesma intensidade em que eu amo.
Mas hoje...
Hoje eu ainda estou aqui.
Com o peito em chamas.
Com a cabeça cheia de perguntas.
Com uma saudade que não sabe morrer e um amor que não sabe ir embora.
E eu tenho medo.
Medo de descobrir que você nunca vai voltar.
Medo de descobrir que esperei por nada.
Medo de perceber que desperdicei anos da minha vida segurando uma porta que talvez você nunca tenha pretendido atravessar.
E, às vezes, quando a madrugada fica silenciosa demais e meus pensamentos ficam altos demais, surge aquele pensamento que eu tenho vergonha de admitir:
eu quero sumir.
Não ouvir mais nada.
Não sentir mais nada.
Não carregar mais esse peso.
Só desaparecer por algum tempo desse mundo e deixar para trás toda essa confusão que existe dentro de mim.
E talvez seja isso que mais me assusta.
Porque eu não sei mais onde termina a saudade e começa o desespero.
Não sei quando amar você deixou de ser uma lembrança bonita e passou a parecer uma sentença.
Não sei quantas noites ainda consigo passar tentando convencer a mim mesmo de que está tudo bem quando, por dentro, parece que alguma coisa está desmoronando.
Mas existe uma coisa que eu ainda sei.
Eu não quero que a minha história termine sendo apenas a história de alguém que amou demais uma pessoa que não conseguiu escolhê-lo.
Talvez eu ainda esteja quebrado.
Talvez amanhã eu acorde querendo correr de volta para você.
Talvez eu ainda chore.
Talvez ainda doa por muito tempo.
Mas existe uma pequena parte de mim — quase apagada, quase silenciosa — que ainda quer descobrir o que existe depois dessa dor.
E talvez seja nela que eu precise me agarrar.
Porque você pode ser o amor da minha vida.
Pode ser a pessoa que mais marcou a minha história.
Pode ser a ferida que levou anos para cicatrizar.
Mas você não pode ser o motivo pelo qual eu desapareço.
Então essa não será uma despedida da minha vida.
Será uma despedida da espera.
Eu ainda amo você.
Talvez por muito tempo.
Mas não posso continuar entregando os meus dias a uma promessa que talvez nunca seja cumprida.
Se você voltar, talvez já seja tarde.
Se não voltar, talvez um dia eu finalmente entenda que sobreviver a você também era uma forma de me amar.
E, por enquanto, enquanto essa noite parece não ter fim...
eu vou ficar.
Nem que seja apenas por mais uma noite.
E depois mais uma.
Até que, algum dia, lembrar de você deixe de parecer o fim do mundo
