Do outro lado da janela

Do outro lado da janela

Ao olhar pela janela, minha vida aqui dentro parece insignificante. Vejo pessoas indo trabalhar, crianças brincando na rua, mães com seus bebês e casais que parecem nunca se desentender.Por alguns instantes, fico imaginando suas histórias. Para onde vão? O que pensam quando chegam em casa? Será que também existem dias em que se sentem perdidos, mesmo quando tudo parece estar bem?Talvez eu veja apenas pequenos fragmentos de vidas que desconheço. Sorrisos que não revelam preocupações, mãos dadas que não contam as discussões e crianças que brincam sem saber dos problemas que as esperam quando o sol se põe.E então olho para dentro de mim.Minha casa, meu amor, minha vida simples. Não há nada aqui que eu deseje trocar. Amo o meu pequeno mundo, mesmo que, às vezes, eu sinta vontade de descobrir o que existe além dele.Talvez seja estranho sentir isso. Amar o lugar onde estou e, ainda assim, imaginar como seria estar em tantos outros lugares.Não quero a vida de ninguém. Só me pergunto quantas vidas cabem neste mundo e quantas histórias passam diante dos meus olhos sem que eu jamais conheça seus finais.E enquanto observo tudo pela janela, percebo que também sou uma dessas pessoas. Alguém com sonhos, sentimentos e uma história que continua acontecendo, mesmo nos dias em que parece que nada acontece.

«Talvez a minha vida não seja insignificante. Talvez eu só esteja tão acostumada a olhar para o mundo pela janela que, às vezes, me esqueço de que também faço parte dele.»