Teve uma vez que você me deu um grampo de cabelo de presente. Eu tava voltando de Brasília pra minha cidade. Não entendi de primeira o porquê você fez isso. Você me disse que era um gesto simples, de uma coisa cotidiana tua, pra eu lembrar de você no meu dia a dia.
Hoje, toda vez que eu uso um grampo de cabelo (não no cabelo, mas na minha roupa, pra prender o fone de ouvido) eu lembro de você.
Pra ser bem sincero, eu nem sei se tenho ainda o teu grampo, o original da história, aquele que cê me deu de presente. Acho que joguei fora quando tava naquela pira de me desfazer desesperadamente de você.
Isso faz parte de alguns dos retalhos que tenho comigo do nosso cotidiano. Um cotidiano totalmente não convencional. Mas que, incrivelmente, funcionou por um tempo.
Acho que vou te visitar pra te entregar um grampo de cabelo, que eu uso sempre quando saio pra caminhar na rua, pra prender meu fone de ouvido na minha camiseta.

