Trocou o chinelo por tênis. Correu pela orla da praia e na volta passou em um sebo. Comprou mais alguns livros. Depois andou pelas ruas movimentadas. O tempo estava nublado choveu de madrugada e pela cara do céu mais chuva cairia sobre a cidade. Olhou o trânsito. Suspirou. Mais um dia de caos nas ruas da cidade. Seguiu para o apartamento.
Argov gostava desses dias nublados, talvez não gostasse se tivesse um trabalho ou precisasse enfrentar o trânsito da Rio de Janeiro. Sentou ma praça em frente ao prédio onde morava e abriu as sacolas de livros. Alguns policiais, filosofia e escritores japoneses. Pensou no seu trabalho enquanto folheava os livros.
Seu trabalho de restaurador. Viajava para países, sua fama permitia conhecer lugares e museus. Diferente dos outros restauradores não buscava ser reconhecido. Era melhor ter seu nome conhecido do que sua aparência, preferia andar como um desconhecido pelas ruas, gostava da liberdade. Além disso era um trabalho importante, mas que não deveria sobressair a obra do pintor que era restaurado. A prova de seu trabalho era essa. Ressuscitar um quadro sem deixar sua marca.
Seus pensamentos foram interrompidos pelas gotas de chuva. Se levantou do banco e foi para seu prédio. Prepararia o almoço e terminaria de ler o resto do livro que deixou sobre a mesinha.
Wesley Rezende

