Adeus.
O golpe mais cruel que ela poderia ter deixado foi a carta de despedida com o perfume de jasmim sobre a mesinha.
A carta, escrita com a letra linda e caprichosa dela, estava dobrava entre as páginas do livro do Murakami.
Reli e cheirei aquela carta muitas vezes.
Eu não te amo mais. Preciso voar sozinha.
Se cuida. Eu nasci para querer mais.
Apenas isso e o cheiro de jasmim.
As palvras foram fáceis de digerir, de entender. Para alguém que sempre foi mediano e se sentia feliz sendo o que era, foram palavras compreensíveis. Mas o cheiro de jasmim ficou na memória.
Dez anos se passaram e se encontraram. Joaquim a viu, sentiu o cheiro inconfundível de jasmim e se virou. Sabrina o olhava, sorria. Se abraçaram e sentaram numa cafeteria. Ainda gosta de café com leite? Ela perguntou. Sim. Ele respondeu, não se lembrava dos gostos dela. Tudo o que ficou foi o cheiro e isso o deixou triste.
Foi uma conversa rápida e joaquim se assustou com as lembranças dela. Ele já não lembrava.
Se despediu e trocaram telefenos.
Ambos continuavam sozinhos, tiveram relacionamentos fracassados e ainda curtiam visitar sebos.
Mas Joaquim captou um brilho triste no olhar de Sabrina. Não soube o que era.
Foi para casa com sua sacola de livros.
Sozinho. Com sua vida simples e desinteressante.
Mas era a sua vida. Só sua.

