Ele pisa fundo no acelerador. O motor do honda ruge. Era madrugada. Esse era um carro novo com certeza era um roubado. Girou o volante pra direita e o carro entrou na rua, subindo a calçada e raspando no poste. Podia jurar que alguém bateu no porta malas.
Os traficantes estavam num Ford Siena logo atrás, armados. Tiros cortaram a noite quebrando o silêncio e o vidro traseiro do Honda. Filhos da puta. Ele grita e se abaixa atrás do volante.
Teve sorte em conseguir escapar com vida. Agora ele aprende a não fazer negócios com quem não conhece. Ainda mais vindo tão longe. Alguém o queria morto e quase conseguiu. Um tiro quebrou o espelho retrovisor, fazendo- o virar o carro pro passeio e divagar os pensamentos, retomou o controle.
Pegou outra rua, esta era de terra e próxima ao muro da linha do trem. Ouviu a buzina de um trem cargueiro ao longe. Merda, falou. Ele poderia ter trocado tiros com os traficantes. Era um bando de moleques com fuzis e pistolas automáticas, inexperientes com p0der de fogo alto. Mas ele tinha apenas seu velho revólver S&W de seis tiros. Nada aconselhável entrar nessa guerra. Dirigir e buscar dispistar era o melhor a se fazer.
O Ford Siena se aproximava, disparos quebrou o outro retrovisor e perfurarou o vidro da frente. Ele gritou e xingou ao ouvir as balas zunindo sua orelha. Agora tinha certeza, tinha alguém no porta malas. Acelerou fundo.
Mais na frente pôde ver um buraco quebrado no muro onde as pessoas usavam pra cortar caminho. O som da buzina do trem estava mais forte. Teve certeza que, pelo som, era um trem cargueiro. Passou a marcha e respirou fundo.
Agarrou o volante com firmeza e se inclinou para frente. Entrou pelo caminho entre muro e caiu na terra. A luz forte do trem cargueiro iluminou o caminho. O honda cruzou os trilhos. Poorraaa, ele gritou soltando todo o ar dos pulmões. Passou. O trem bateu com velocidade na lateral do carro que rodou e foi zigue-zagueando pelo outro caminho. Ele agarrou o volante e tentou controlar o carro. Uma fumaça cinzenta começou a sair de debaixo do capô. Nem por isso ele parou, coração acelerado e dizendo várias vezes, eu não morri, caralho, eu to vivo virou para esquerda pegando outra rua. Os traficantes, o trem e a morte ficaram para trás.
Dirigindo mais devagar, o carro estava ficando mais lento, evitou as ruas principais. Depois de meia hora quando teve certeza que não era seguido, parou numa rua escura e deserta.
Abriu a porta e saiu cambaleante. Vomitou num canto suas mãos tremiam. Pegou sua mochila e foi até o porta malas. Abriu.
Se assustou, desmaiado com um corte leve na testa, um jovem num uniforme sujo e suado de alguma escola particular amarrado e amordaçado.
Cacete tivemos uma puta sorte, garoto. Falou. Deixou o pprta malas aberto e caminhou até o orelhão. Fez uma ligação anônima para a polícia e com telefone pendurado saiu caminhando.
Entrou no primeiro ônibus para o centro da cidade. Iria vover mais um dia. Precisava de um cerveja, essa noite a morte não iria lhe alcançar e isso lhe permitiu sorrir...

