NO BAR AO SOM DE JAZZ
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NO BAR AO SOM DE JAZZ

Eu deixei de acreditar em Deus há muito tempo, Cristiane...

Cristiane olhou para Sardis, tomou um gole do seu conhaque. Seu amigo sempre foi um homem discreto, nunca o vira triste. Mas os olhos dele sempre passavam uma certa tristeza... talvez uma profunda e perigosa melancolia.

Mas o que te levou a isso?

Sardis acendeu o cigarro, deu uma tragada e deixou a fumaça sair pelo canto da boca. Encolheu os ombros.

Eu poderia dizer que foi por causa dos filósofos, ou dá esperança perdida também. Mas não sei nada sobre filósofos e nem tive esperança pra perder....entenda, Cristiane que não sou pessimista e nem otimista... só perdi a fé. Sabe, talvez eu tivesse uma fé forçada apenas. Mas, não quero pense como eu a sua fé serve pra você...

Cristiane pegou o cigarro dos dedos dele e deu uma tragada. Ela sorriu e devolveu o cigarro enquanto expelia a fumaça.

Acho que você precisa transar mais, Sardis.

Ele olhou a brasa do cigarro. Pensou. Sorriu e fumou.

Acho que você está certa nesse ponto...mas não acho que uma transa ou uma viagem pra lua mudaria meus pensamentos.

No palco do bar, o saxofone começou a tocar. A apresentação de jazz começou.

 

Wesley R. Curumim