Girou a chave e o motor roncou
Ajeitou o cinto, a boina de couro
E o retrovisor
Segurou o volante
Dirigiu pela noite
Na cidade
Luzes do farol na direção contrária
Dirigir a noite era libertador
Atravessou o túnel e pegou o viaduto
Ali do alto pelo painel
Contemplou a cidade
Vazia sem pessoas
Ligou o radio e a música de Belchior quebrou o silêncio
"Saia do meu caminho eu prefiro andar sozinho..."
Sorriu e pensou nas ecolhas...
Estar na estrada era sempre relaxante
Deixar um pouco da vida ora trás e seguir sem um rumo
Colocou o cotovelo pra fora da janela
E sentiu o vento frio da noite bater no rosto
Ver as luzes como riscos velozes
Luzes ao longe no alto
Como vagalumes
Logo deixou a cidade para trás
O campo escuro e o cheiro
De mato e terra molhada
Chuva batendo no capô
Fechou o vidro
Era a estrada
A noite escura
Placas apontando outras direções
E Belchior cantando
"Deixa que eu decida a minha vida...."

