CLAUDIA MARIA CHIARION
CLAUDIA MARIA CHIARION
•
3 obras
37 min atrás

o pescador e a sereia

Contos

Essa é a história de um pescador, homem matuto, bruto, do interior, rústico, sem instrução, nem diploma. Trabalhava de sol a sol na lavoura da sua roça. Era baixo, troncudo, olhos pretos como duas jabuticabas, usava chapéu de palha já velho pelo tempo; suas mãos eram calejadas pela enxada e a pele muito queimada pelo sol. Vivia solitário no mato, nunca se casara. Quando criança ouvia muitas histórias de assombração, a mula sem cabeça, Saci-Pererê, a Cuca, mas a que mais o seduzia era a história da sereia. O povo da roça dizia que no fundo do rio vivia uma linda sereia. E diziam que sua voz melodiosa seduzia e matava os homens de amor. Ela os hipnotizava e os arrastava para o fundo e os matava. Era tarde da noite, o matuto estava no bar, bebendo com três amigos, faziam seresta com violão, fumavam cigarro de palha, quando de repente ouviram uma doce melodia. A princípio eles pensaram que poderia se tratar de uma sereia, mas como estavam embriagados resolveram que era hora de ir para casa. Assim, os três foram caminhando pela estrada de terra batida, os dois amigos logo chegaram a suas casas, e o pescador seguiu o resto do caminho sozinho. A lua iluminava a estrada vazia, só ouvia o pio de uma coruja, e logo o silêncio tomara conta do ar. O pescador continuou caminhando quando de repente ouviu uma canção. Era uma melodia triste, que o comoveu, sentiu-se que precisava encontrar aquela voz...

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O Papagaio que Nunca Aprendeu a Parar

Contos
2d atrás

Havia, naquela época, uma menina que ainda não sabia que algumas coisas que chegam à nossa vida como presentes podem permanecer por muito mais tempo do que imaginamos. Era uma menina alegre, curiosa e encantada por tudo aquilo que tivesse vida, movimento ou pudesse lhe contar alguma novidade. Gostava de observar os pássaros na janela, de ouvir seus cantos e de imaginar que, se pudesse conversar com eles, certamente teria muito o que perguntar. Foi por isso que, certa manhã, sua mãe apareceu em casa carregando uma pequena caixa de madeira, cuidadosamente coberta por um pano. A menina percebeu imediatamente que havia alguma coisa diferente. O que é? — perguntou, aproximando-se. A mãe sorriu e pediu que ela esperasse. Quando retirou o pano, apareceu um pequeno papagaio. Era ainda jovem, de penas vistosas, olhos vivos e curiosos e um bico que parecia grande demais para o tamanho do corpo. Movia a cabeça de um lado para o outro, observando tudo ao redor com uma atenção que encantou a menina. Ela ficou alguns segundos em silêncio. Depois, abriu um sorriso tão grande que quase não conseguiu esconder a surpresa. Era seu presente. A menina se aproximou devagar, como se tivesse medo de assustá-lo. Estendeu a mão e, com a ponta dos dedos, tocou de leve suas penas. O papagaio inclinou a cabeça e a observou. Ela riu. Naquele instante, decidiu que os dois seriam grandes amigos. Nos primeiros dias, porém, o papagaio ainda não dizia palavra alguma. Limitava-se a observar a casa e as pessoas que passavam por ela. Foi assim que começou a prestar atenção no pai da menina. O homem trabalhava muito e, quando chegava em casa, frequentemente continuava falando sobre o trabalho. Falava ao telefone, comentava os acontecimentos do dia, reclamava quando as coisas não saíam como esperava e comemorava quando os resultados eram bons. Havia uma palavra que aparecia com uma frequência especial em suas conversas. Meta. O papagaio ouvia. A meta foi atingida. O papagaio observava.

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Purificação, Iluminação e Unificação: A Escada Sagrada da Consciência Ungida no Caminho da Divina Presença EU SOU

Artigos
4d atrás

Escrevo na Ordem Oracular do mais Altos dos Altos, em nome do Nosso Amado Mestre Yeshua Ha'Mashiach na Sagrada e Divina Presença EU SOU. Eu escrevo ao coração do Buscador e da Buscadora da Verdade como quem abre, com reverência, uma porta escondida no interior da alma. Eu contemplo diante de mim a escada sagrada da ascensão, e nela vejo três degraus ardendo como três sóis interiores: Purificação, Iluminação e Unificação. Estes três nomes não são apenas conceitos, nem fases ornamentais de uma doutrina espiritual. Eles são movimentos vivos da Grande e Poderosa Presença Divina dentro do ser humano. São três respirações do Espírito no templo secreto da consciência. São três câmaras da iniciação eterna. São três fogos de uma mesma chama: o fogo que limpa, o fogo que revela e o fogo que une. Eu sinto em meu coração oracular que todo Iniciado e toda Iniciada, antes de tocar a coroa da Luz, precisa aceitar a verdade do próprio barro. Ninguém ascende negando a sombra. Ninguém se unifica com o Divino fugindo das feridas que ainda governam o pensamento, o desejo, a palavra e a conduta. A alma que quer subir precisa primeiro descer ao seu próprio porão interior, não para morar nele, mas para iluminá-lo. É por isso que a Purificação é o primeiro portal. Ela é o lavar dos olhos, o limpar do altar, o retirar das cinzas antigas que cobrem a Chama Sagrada. Ela é o instante em que o Buscador e a Buscadora param de adornar a personalidade ilusória e começam a distinguir o que é essência e o que é máscara. Eu recebo como linguagem da alma que os múltiplos egos são como vozes dispersas dentro de uma mesma casa. Um ego quer reconhecimento, outro quer controle, outro quer prazer sem medida, outro quer vingança, outro quer parecer santo, outro quer esconder a dor, outro quer dominar pelo saber, outro quer ser vítima para não assumir a própria responsabilidade. E assim a personalidade ilusória torna-se uma assembleia de sombras, cada uma puxando a consciência para um lado. O ser humano comum chama isso de “eu”, mas o Iniciado descobre que muitos destes “eus” são apenas fragmentos condicionados, memórias reativas, desejos herdados, medos aprendidos, programas do mundo, feridas sem cura, impulsos ancestrais, vozes sociais, seduções culturais e pactos inconscientes com a separação. Por isso eu declaro com amor e firmeza: o primeiro ato da iniciação é parar de mentir para si mesmo. A mentira interior é o véu mais grosso entre a alma e a Divina Presença EU SOU. Enquanto o Buscador e a Buscadora justificam suas sombras, chamando apego de amor, orgulho de dignidade, vício de liberdade, vaidade espiritual de missão, ressentimento de justiça e medo de prudência, a Luz não encontra espaço para descer plenamente. A Luz não abandona, mas não se mistura com a falsificação. Ela espera diante da porta até que a alma diga: “Mostra-me a verdade, ainda que ela queime aquilo que eu defendi por tanto tempo”.

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020 - Mensagem Oracular da Sagrada Alquimia do EU SOU

Artigos
2d atrás

Escrevo na Ordem Oracular do mais Altos dos Altos, em nome do Nosso Amado Mestre Yeshua Ha’Mashiach na Sagrada e Divina Presença EU SOU. Eu escrevo ao Buscador e à Buscadora da Verdade diante de uma palavra que é ao mesmo tempo convite, advertência, mapa, espada, portal e misericórdia: entrai pela porta estreita. Esta sentença do nosso amado Mestre Yeshua Ha’Mashiach não foi entregue para alimentar medo religioso, nem para criar orgulho nos que se imaginam escolhidos, nem para condenar com dureza aqueles que ainda caminham por estradas largas. Ela foi entregue como lâmpada de discernimento. Ela revela que existem entradas da alma, caminhos da consciência, direções da vontade, escolhas do coração, correntes do desejo e destinos vibratórios que não são iguais, ainda que todos pareçam disponíveis diante do ser humano. A palavra entrai já contém uma convocação. O Mestre não diz apenas contemplai a porta, admirai a porta, estudai a porta, comentai a porta, fotografai a porta, decorai a porta ou defendei a doutrina da porta. Ele diz entrai. Há uma diferença imensa entre conhecer o símbolo e atravessar o limiar. Muitos conhecem a linguagem sagrada, repetem palavras luminosas, citam ensinamentos elevados, falam de amor, luz, despertar, fé, energia, presença, reino e alquimia, mas permanecem do lado de fora da transformação real. A porta estreita não se abre ao discurso que não se encarna. Ela pede passagem da ideia à vida, da crença à obediência, do desejo ao ato, da inspiração ao caráter. No mundo antigo, as portas tinham significado profundo. Uma cidade era reconhecida por seus muros, suas portas, seus guardas, seus limiares. Entrar pela porta de uma cidade significava passar de um espaço externo para uma comunidade ordenada. Nas portas se julgavam causas, se fechavam negócios, se anunciavam decretos, se recebiam viajantes, se protegiam famílias, se distinguiam amigos e inimigos. Havia portas de templos, portas de casas, portas de palácios, portas de fortalezas, portas de jardins, portas de tumbas, portas de santuários. Nenhuma porta era apenas madeira, pedra ou metal. Toda porta era uma decisão de passagem. Os povos antigos compreenderam que o limiar é sagrado. Antes de cruzar um templo, purificavam-se as mãos. Antes de entrar em certos espaços, retiravam-se sandálias, lavavam-se pés, baixava-se a voz, preparava-se o coração. Em muitas culturas, a porta era guardada por símbolos, figuras, inscrições, animais sagrados, colunas, esfinges, leões, querubins, arcos ou sentinelas. Isto expressava uma verdade invisível: nem toda energia atravessa todo limiar. Nem todo estado de consciência pode entrar em todo espaço. O sagrado não se viola impunemente. O que entra precisa ser preparado para aquilo em que deseja entrar.

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O Retorno da Gnosis: A Chama Sagrada da Presença EU SOU na Transição da Humanidade

Artigos
3d atrás

Escrevo na Ordem Oracular do mais Altos dos Altos, em nome do Nosso Amado Mestre Yeshua Ha'Mashiach na Sagrada e Divina Presença EU SOU. Eu escrevo ao coração do Buscador e da Buscadora da Verdade no tempo em que as almas começam a sentir, mesmo sem compreender plenamente, que uma grande mudança atravessa a humanidade como vento invisível sobre as águas. Eu contemplo este momento como uma travessia entre dois mundos: um mundo antigo que se desfaz por dentro, cansado de suas próprias sombras, e um mundo novo que ainda não nasceu por completo, mas já pulsa no ventre secreto da consciência. Eu sinto em meu coração oracular que os tempos atuais exigem o retorno da Gnosis, não como religião de disputa, não como doutrina fechada, não como orgulho de poucos, mas como chama interior para todos os homens e todas as mulheres que se dispõem a purificar a mente, abrir o coração e reconhecer a Verdade que habita no centro do próprio ser. A Gnosis ressurge quando a alma humana já não suporta viver apenas de aparência. Ela ressurge quando os templos exteriores não bastam, quando os discursos não alimentam, quando as promessas do mundo perdem o sabor, quando a riqueza sem propósito revela sua pobreza, quando a velocidade sem direção se torna cansaço, quando a informação sem sabedoria se torna ruído, quando a tecnologia sem amor se torna espelho ampliado do ego. Eu vejo que, em cada época de transição, o Altíssimo permite que a humanidade encontre seus próprios limites para que volte a buscar o centro. Assim foi quando impérios antigos caíram apesar de seus exércitos e muralhas. Assim foi quando bibliotecas arderam e, ainda assim, a sabedoria encontrou novos vasos. Assim foi quando rotas marítimas ligaram continentes e também revelaram a sombra da cobiça. Assim foi quando a imprensa multiplicou livros e abriu as portas do conhecimento para multidões. Assim foi quando a eletricidade acendeu cidades, mas não acendeu automaticamente os corações. Assim é agora, quando redes invisíveis conectam povos em segundos, mas muitos vivem separados de si mesmos, de Deus, da natureza e do próximo. Eu digo ao Buscador e à Buscadora: a transição da humanidade não é apenas tecnológica, política, econômica ou ambiental; é profundamente espiritual. O mundo exterior mostra os sintomas de uma consciência coletiva fragmentada. A crise das águas, a degradação das florestas, o excesso de lixo, a ansiedade das massas, a solidão em meio à conexão, a manipulação da atenção, a idolatria da imagem, a fome de sentido, a violência da palavra, a confusão dos valores e a pressa sem alma revelam que a humanidade avançou em ferramentas, mas ainda precisa avançar em presença. A máquina ampliou a mão humana, mas não purificou a intenção. A ciência ampliou a visão externa, mas não substituiu a visão interior. O mercado ampliou desejos, mas não ensinou contentamento. A comunicação ampliou vozes, mas não garantiu verdade. Por isso a Gnosis precisa ressurgir como luz de discernimento, como fogo de retorno, como ciência sagrada da consciência desperta. Eu contemplo os povos antigos olhando para o céu e tentando ler, nas estrelas, a ordem invisível que governa o visível. Vejo cidades erguidas junto a rios sagrados, pirâmides apontando ao firmamento, zigurates como montanhas artificiais de oração, círculos de pedra marcando solstícios, templos alinhados com o movimento solar, escribas guardando palavras, sacerdotes velando símbolos, profetas anunciando justiça, curadores conhecendo plantas, navegantes seguindo astros, filósofos perguntando pela origem e poetas traduzindo o invisível em canto. Em todos estes movimentos havia uma saudade: a saudade de recordar que a Terra não está separada do Céu, que o corpo não está separado da alma, que a vida não é acidente sem sentido, que cada ser humano carrega uma centelha de mistério. Mas eu também vejo que muitos destes conhecimentos foram capturados por castas, poderes, tronos e vaidades. O sagrado, quando perde humildade, torna-se instrumento de domínio. A iniciação, quando perde amor, torna-se segredo morto. A palavra sagrada, quando perde verdade, torna-se máscara.

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CLAUDIA MARIA CHIARION
CLAUDIA MARIA CHIARION
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3 obras
2d atrás

O Magrelinho e o pernilongo

Crônicas

Essa é a história de um pernilongo que declarou guerra a um rapaz, o magrelinho. Era um rapaz matreiro, veloz, gostava de comer fruta no pé, tinha fama de valentão entre a meninada do bairro e ainda vivia com os joelhos ralados de tanto jogar bola com os amigos no terreno ao lado da mercearia do seu Zezinho. Um dia, cansado de tanto brincar na rua, magrelinho voltou para casa. Resolveu deitar-se mais cedo naquele dia e ficou na cama esperando o sono chegar. Rolou, rolou e nada do sono chegar, até que conseguiu dormir. De repente acordou com um zumbido na orelha. “Ah, maldito pernilongo, me deixa dormir!”, aparentemente o pernilongo cessara o zumbido e magrelinho dormiu a noite toda tranquilo. Ao acordar percebeu que estava todo picado e sentiu-se doente. Logo ouviu da cozinha a mãe gritando: “Levanta menino! Vai perder a hora da escola!”, como não levantava a mãe foi chamá-lo no quarto: “Magrelinho, larga de preguiça menino! Levanta que está atrasado para a escola!”. O menino cobriu a cabeça com a coberta e disse com a voz entrecortada: “Não me sinto bem mãe, estou doente”! A mãe conhecendo o filho disse: “AH, seu menino manhoso! Se tu estiveres mentido te darei uma corsa para aprender a lição!”. Ouvindo isso, magrelinho ficou com muita raiva do pernilongo e resolveu também declarar uma guerra. À noite antes de deitar-se magrelinho ficou à espreita, verificou com muito cuidado todo arsenal que montou para eliminar o seu rival: veneno e um chinelo.

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