E, de repente, eu preciso rolar umas três vezes a tela do WhatsApp para chegar até a sua conversa. Você estava fixado até ontem.
Onde nos perdemos?Onde eu me encontro?Onde eu te deixo?
Seu nome estava salvo com uma única palavra. Uma palavra que é quase a irmã mais nova da morte: vida.
É quase como se eu fosse um espírito: ainda sou capaz de sentir, ver, ouvir. Tudo exatamente como antes. Só que você já não é capaz de me enxergar.
Ainda perdida nesse profundo túnel de passagem — aquele em que dizem existir uma imensa luz no final —, procuro alguma maneira de reviver sem precisar te revisitar.
Ainda não encontrei a luz.
E talvez seja essa a parte mais cruel de morrer: continuar viva o suficiente para lembrar exatamente como era estar viva.
Então, todos os dias, eu continuo acordando.Continuo sentindo.Continuo lembrando.
Como um fantasma condenado a assistir à própria ausência.
E, de vez em quando, ainda rolo a tela três vezes. Não para falar com você.Só para ter certeza de que, realmente aconteceu. Por um instante, você foi minha vida.
