O Papagaio que Nunca Aprendeu a Parar
Havia, naquela época, uma menina que ainda não sabia que algumas coisas que chegam à nossa vida como presentes podem permanecer por muito mais tempo do que imaginamos. Era uma menina alegre, curiosa e encantada por tudo aquilo que tivesse vida, movimento ou pudesse lhe contar alguma novidade. Gostava de observar os pássaros na janela, de ouvir seus cantos e de imaginar que, se pudesse conversar com eles, certamente teria muito o que perguntar. Foi por isso que, certa manhã, sua mãe apareceu em casa carregando uma pequena caixa de madeira, cuidadosamente coberta por um pano. A menina percebeu imediatamente que havia alguma coisa diferente. O que é? — perguntou, aproximando-se. A mãe sorriu e pediu que ela esperasse. Quando retirou o pano, apareceu um pequeno papagaio. Era ainda jovem, de penas vistosas, olhos vivos e curiosos e um bico que parecia grande demais para o tamanho do corpo. Movia a cabeça de um lado para o outro, observando tudo ao redor com uma atenção que encantou a menina. Ela ficou alguns segundos em silêncio. Depois, abriu um sorriso tão grande que quase não conseguiu esconder a surpresa. Era seu presente. A menina se aproximou devagar, como se tivesse medo de assustá-lo. Estendeu a mão e, com a ponta dos dedos, tocou de leve suas penas. O papagaio inclinou a cabeça e a observou. Ela riu. Naquele instante, decidiu que os dois seriam grandes amigos. Nos primeiros dias, porém, o papagaio ainda não dizia palavra alguma. Limitava-se a observar a casa e as pessoas que passavam por ela. Foi assim que começou a prestar atenção no pai da menina. O homem trabalhava muito e, quando chegava em casa, frequentemente continuava falando sobre o trabalho. Falava ao telefone, comentava os acontecimentos do dia, reclamava quando as coisas não saíam como esperava e comemorava quando os resultados eram bons. Havia uma palavra que aparecia com uma frequência especial em suas conversas. Meta. O papagaio ouvia. A meta foi atingida. O papagaio observava.
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