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CLAUDIA MARIA CHIARION

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O Papagaio que Nunca Aprendeu a Parar

Contos
3h atrás

Havia, naquela época, uma menina que ainda não sabia que algumas coisas que chegam à nossa vida como presentes podem permanecer por muito mais tempo do que imaginamos. Era uma menina alegre, curiosa e encantada por tudo aquilo que tivesse vida, movimento ou pudesse lhe contar alguma novidade. Gostava de observar os pássaros na janela, de ouvir seus cantos e de imaginar que, se pudesse conversar com eles, certamente teria muito o que perguntar. Foi por isso que, certa manhã, sua mãe apareceu em casa carregando uma pequena caixa de madeira, cuidadosamente coberta por um pano. A menina percebeu imediatamente que havia alguma coisa diferente. O que é? — perguntou, aproximando-se. A mãe sorriu e pediu que ela esperasse. Quando retirou o pano, apareceu um pequeno papagaio. Era ainda jovem, de penas vistosas, olhos vivos e curiosos e um bico que parecia grande demais para o tamanho do corpo. Movia a cabeça de um lado para o outro, observando tudo ao redor com uma atenção que encantou a menina. Ela ficou alguns segundos em silêncio. Depois, abriu um sorriso tão grande que quase não conseguiu esconder a surpresa. Era seu presente. A menina se aproximou devagar, como se tivesse medo de assustá-lo. Estendeu a mão e, com a ponta dos dedos, tocou de leve suas penas. O papagaio inclinou a cabeça e a observou. Ela riu. Naquele instante, decidiu que os dois seriam grandes amigos. Nos primeiros dias, porém, o papagaio ainda não dizia palavra alguma. Limitava-se a observar a casa e as pessoas que passavam por ela. Foi assim que começou a prestar atenção no pai da menina. O homem trabalhava muito e, quando chegava em casa, frequentemente continuava falando sobre o trabalho. Falava ao telefone, comentava os acontecimentos do dia, reclamava quando as coisas não saíam como esperava e comemorava quando os resultados eram bons. Havia uma palavra que aparecia com uma frequência especial em suas conversas. Meta. O papagaio ouvia. A meta foi atingida. O papagaio observava.

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O Magrelinho e o pernilongo

Crônicas
4h atrás

Essa é a história de um pernilongo que declarou guerra a um rapaz, o magrelinho. Era um rapaz matreiro, veloz, gostava de comer fruta no pé, tinha fama de valentão entre a meninada do bairro e ainda vivia com os joelhos ralados de tanto jogar bola com os amigos no terreno ao lado da mercearia do seu Zezinho. Um dia, cansado de tanto brincar na rua, magrelinho voltou para casa. Resolveu deitar-se mais cedo naquele dia e ficou na cama esperando o sono chegar. Rolou, rolou e nada do sono chegar, até que conseguiu dormir. De repente acordou com um zumbido na orelha. “Ah, maldito pernilongo, me deixa dormir!”, aparentemente o pernilongo cessara o zumbido e magrelinho dormiu a noite toda tranquilo. Ao acordar percebeu que estava todo picado e sentiu-se doente. Logo ouviu da cozinha a mãe gritando: “Levanta menino! Vai perder a hora da escola!”, como não levantava a mãe foi chamá-lo no quarto: “Magrelinho, larga de preguiça menino! Levanta que está atrasado para a escola!”. O menino cobriu a cabeça com a coberta e disse com a voz entrecortada: “Não me sinto bem mãe, estou doente”! A mãe conhecendo o filho disse: “AH, seu menino manhoso! Se tu estiveres mentido te darei uma corsa para aprender a lição!”. Ouvindo isso, magrelinho ficou com muita raiva do pernilongo e resolveu também declarar uma guerra. À noite antes de deitar-se magrelinho ficou à espreita, verificou com muito cuidado todo arsenal que montou para eliminar o seu rival: veneno e um chinelo.

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