"Maria era uma mulher profundamente insegura.”
“Como você chegou a essa conclusão?”, Maria pergunta ao escritor. “Espera, eu ainda estou no controle da narrativa”, o escritor diz. Ou, eu mesmo afirmo. “Tudo bem, você ainda está no controle. Todavia, como você pode ter tanta certeza de que eu sou insegura?”
“Você não pediu aumento ao chefe. Você prefere a cadeira mais dura a explicar que a melhor cadeira já havia sido dada a você muito antes da nova funcionária. Você é incapaz de ser Nina Simone porque está com medo do que o público irá dizer.” “Eu poderia dizer que você está certa e reconhecer tudo isso. Por outro lado, eu, Maria, não escolhi esse nome e fico me perguntando: quem escolheu? Quem tomou a decisão que me fez não pedir o aumento? Não ocupar minha cadeira especial e não cantar Nina? Essas escolhas foram minhas em qual grau de consciência?”
Maria logo pela manhã pediu demissão. Alegou falta de liberdade para ser elefanta ou Leoparda. Maria gosta e não gosta da ideia de morar perto de reatores nucleares.
Plutão caiu perto do canteiro da casa. Fomos juntar.
