As risadas ecoavam altas pelo quarto. Lily e Jack estavam deitados na cama, lado a lado, conversando sobre assuntos aleatórios, como faziam sempre que tinham tempo. Aos poucos, Jack foi parando de rir, mas sem deixar o sorriso desaparecer. Ele se deixou olhar a garota que ainda dava uma risada gostosa, chegando a colocar até as mãos na barriga pelo provável incômodo de ter rido demais.
Jack se perdia em pensamentos em momentos como aquele. Era tão bom sempre ter Lily por perto. Eram amigos há anos e ele sentia que o laço que os unia só vinha aumentando a cada dia que passava. Às vezes discutiam por bobeiras, mas logo estavam rindo juntos do ocorrido. Ficou a olhando: os olhos fechados, os lábios agora entreabertos em busca de ar pela risada contínua de segundos atrás. Os lábios. Tão vermelhos e que aparentavam ser macios. Ficou olhando-os enquanto tentava entender por que, de repente, eles lhe pareciam tão convidativos.
Lily, após recuperar o fôlego perdido, abriu os olhos ao sentir o olhar tão intenso sobre si. Por que Jack estava a olhando daquela forma? Sentiu como se houvesse um bloco de gelo na barriga. Ela o viu se virar para si, apoiando-se em um dos braços, enquanto levava o outro com cuidado até o seu rosto. Logo sentiu uma leve carícia no rosto, que a fez fechar os olhos e soltar um baixo suspiro de aprovação. Jack sempre era tão carinhoso com ela.
Abriu os olhos vendo que ele estava consideravelmente mais perto do que segundos atrás. Seus olhos se encontraram. Olhos carregados de sentimentos que não conseguiam decifrar. Lily sentiu o polegar do melhor amigo passando pelos seus lábios em uma leve carícia, que a fez arrepiar. Sentia o coração batendo incrivelmente acelerado agora. E Jack estava a olhando de uma maneira tão intensa, que sentia as bochechas começarem a esquentar. A carícia em seus lábios ainda continuava e agora os olhares do amigo alternavam entre seus olhos e os dela, fazendo-a ficar com a respiração descompassada.
— Jack, o que... O que você está fazendo...? — sua voz era sussurrada devido ao turbilhão de sentimentos que estava sentindo — Até parece que quer... me beijar. — terminou com uma risadinha um tanto nervosa pela vergonha.
Mas o amigo não desviou o olhar nem parou com as carícias, apenas continuou a olhando com aquele olhar de admiração que fazia borboletas voarem em sua barriga. Ele a viu olhar demoradamente para seus lábios e pressionar um pouco mais o polegar, fazendo-os se abrirem minimamente, logo voltando o olhar ainda intenso para ela.
— Lily. Eu posso... te beijar? — sua voz não passava de um sussurro que só foi ouvido por estar tão perto.
Lily sentia que o coração poderia saltar do peito a qualquer instante. Jack continuava do mesmo jeito e estava ainda mais perto do que antes, fazendo sua respiração se chocar contra a dele. Pelo olhar dele, conseguiu ver que ele aguardava a resposta. Lily apenas se limitou a olhar-lhe primeiramente os lábios e, novamente, os olhos, acenando levemente, concedendo a resposta que ele aguardava.
Jack apoiou-se melhor em um dos braços, chegando ainda mais perto dela, que ainda estava deitada, acariciando o rosto com a outra mão enquanto aproximava os lábios lentamente. Com os olhos ainda presos um ao outro, roçou os lábios de leve, apenas um encostar, que lhes fez fechar os olhos em uma reação instantânea. Pressionou um pouco mais os lábios nos da amiga, em movimentos para cima e para baixo, sentindo a textura macia, deixando, em seguida, dois leves selares. Depois, passou calmamente a língua sobre os mesmos, pedindo passagem para aprofundar o contato.
Aos poucos, os lábios de Lily foram concedendo a passagem que havia sido pedida, e, de leve, suas línguas se encostaram em um calmo roçar. Jack ainda mantinha a mão livre no rosto da amiga, fazendo um leve carinho em sua bochecha. E logo sentiu a mão dela, tímida, ir de encontro a seus cabelos, fazendo um carinho perto da nuca.
O beijo era completamente suave. Era um beijo de descoberta. Os singelos toques trocados deixavam a cena ainda mais bonita e apaixonante de se ver. Aos poucos, o beijo foi sendo finalizado com leves selares. As pontas dos narizes se mantiveram juntas enquanto seus olhos se abriam e se prendiam um ao outro. Um leve sorriso se formou em ambos os lábios, que foram novamente selados.
Nenhuma palavra foi dita. Aliás, nem precisava. Os olhares e sorrisos falavam por si. Ali nascia a descoberta do primeiro amor. Juntos, como sempre tinha sido entre os dois.

