Debaixo de uma ponte eu vejo uma menina. Clarisse usa um vestidinho sujo, com um pequeno rasgo na altura dos ombros, tem os cabelos embaraçados, sujos. No rostinho preto de fuligem se esconde um sorriso amedrontado. No chão um colchão velho, um pano qualquer que serve de lençol e um pedaço de papelão enrolado é o seu travesseiro.
Clarisse está deitada em sua cama. Lá no alto um teto de estrelas e a música de buzinas ensadecidas de motoristas malucos, apressados.
Clarisse tenta dormir, mas não consegue. Escuta o barulho de passos. Gente andando, gente correndo, gente fugindo; ela não sabe de quem ou de quê. Desilusão!
Seus pais dormem. A mãe ronca profundamente. A cabeça encostada no chão de cimento, sem lençol e nem papelão; o abraço do marido lhe aquece, só o calor do corpo dele ela tem.
E na avenida movimentada vem a chuva fraca pra molhar os poucos pertences que eles tem. Nem a ponte os protege, pois está cheia de fissuras e goteiras. Malditos governantes que nada consertam, muito menos pontes e quem dera vidas...
Fim....
