MARIA
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MARIA

Lá está ela, do alto da sua janela, olhando as estrelas no céu e o movimento das pessoas na rua. São carros que vem e que passam, são sorrisos que vem e vão, são pedaços de histórias e contos inacabados, são sentimentos interrompidos por balas perdidas, por doenças malditas, pela triste solidão.

E a escuridão da rua vazia, do chão sujo, da esquina encardida com bitucas, com notícias, com indigentes. Esses que vivem a perambular sem rumo, sem vida sem casa e sem querer viver.

Vida imprestável. De cheiros doces e sabores amargos. Da língua mordida de nervoso, dos pés batendo no chão, dos dedos ossudos tamborilando na parede descascada.

Lá está ela. De pijamas e com os cabelos soltos, olhando as estrelas no céu e as pessoas na rua. Ela não tem ninguém, Maria é uma pessoa sozinha.