REUNIÃO
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REUNIÃO

As crianças correndo pela casa. Os homens sentados em volta de uma mesa com copos cheios de felicidade, enquanto as mulheres, de aventais e risadas nos rostos ajeitam panelas para mais um almoço em família. São primos escondidos nos quartos com vergonha dos parentes que só aparecem de vez em quando. É o vô e a vó que estão sentados em frente da televisão assistindo Sílvio Santos. Dá para ouvir o chiado da cebola e do alho refogando na panela, dá para ouvir o barulho de uma tampa de panela caindo e de alguém gritando truco lá fora.

A toalha na mesa, mas não tem espaço para todos; é preciso improvisar banquinhos. O cheiro cada vez mais forte. O macarrão com molho, a carne assada no forno, o arroz com legumes, e a gelatina colorida na geladeira.

Vão lavar as mãos, alguém diz. Todos vão, alguns a contragosto. Disputa por lugares, por pratos mais fundos, o que são poucos. Eu fico com um raso, não me importo. Meto os dedos gorduchos na coxa do frango; devoro, o arroz, a carne assada, enfim, como um pouco de tudo.

Vou um pouco para o quintal e volto assim que a mãe chama pra comer gelatina. Sento com meu potinho de plástico bem cheio, e a colheradas bem cheios vou me lambuzando.

As barrigas cheias, a louça lavada. Na sala a família reunida pra assistir ao jogo do Palmeiras. Os palmeirenses da família sofrem enquanto os outros torcedores riem de mais uma derrota, mas a maior vitória é a família reunida mais uma vez.