VELHOS TEMPOS
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VELHOS TEMPOS

A luz acesa no quintal da casa. O cheiro da comida e as crianças sentadas em volta da mesa, de cara suja, rostinhos felizes. Um pudim grandão no meio da mesa. Mamãe servindo um pedaço para cada um. A gente se lambuza e ri de alegria!

Um por um colocamos os pratos na pia. Mamãe com avental amarrado na cintura lava a louça: pratos, copos e talheres; eu o mais novo ajudo a secar,meu outro irmão vai guardando tudo dentro do armário, e minha irmã mais velha arruma a mesa; toalha dobrada e enfiada dentro de uma gaveta qualquer. Uma toalhinha feita de crochê é colocada e um pato de porcelana com flores dentro também ajudam a enfeitar a mesa disposta.

Sentamos todos juntos no chão da sala. Papai calado está sentado em um sofá no canto. Jornal passando na TV.

Quando a novela começa o rosto de papai se emburrece. Ele se levanta, calça os chinelos azuis de tiras e vai para cozinha. O barulho do rádio baixinho e ele sentado à mesa fica a ouvir ao jogo de futebol, nem sei quem estava jogando, mas ele não parecia tão empolgado com o grito estridente de gol do homem que morava dentro do rádio.

Na solidão da noite a rua toda em silêncio. Mamãe ordena que a gente vá para a cama. Minha irmã mais velha teima em não obedecer, diz que vai passar um filme legal e ela quer assistir. Mamãe não deixa. Levanta-se do sofá e desliga a televisão.

- Todos já pra cama! - Ela diz num tom ameaçador.

O sol nem tinha nascido ainda e mamãe surge no quarto já vestida. De calça jeans e uma camiseta e com os cabelos penteados para trás. No rosto sério uma maquiagem leve e um batom de cor clara. Ouço papai falando alto e tentando apressar as coisas.

- Vamos logo, senão chegaremos atrasados!

Todos no carro, cintos afivelados, rádio ligado e os três irmãos acomodados no banco traseiro.

Depois de uma viagem longa e cansativa, finalmente estávamos perto de chegar ao nosso destino.

Quando o carro subia a ladeira de chão de terra batida, pude ver vovô e vovó em pé, de sorrisos na cara, esperando a gente.

Carro parado, a gente descendo. Fui correndo receber um abraço forte e caloroso dos meus avós. Um beijo molhado no rosto me fez ficar vermelho, todos riram de mim.

Malas guardadas dentro da casa. Aquele cheiro de comida fresquinha. Mamãe contando as novidades pra vovó. Meu pai colocando o carro dentro da garagem. Vovô mostrando o beija-flor parado no ar, as árvores cheia de frutos, a grama verdinha.

Passaram-se muitos anos. Vovô e vovó não estão mais com a gente. Os finais de semana no sítio hoje são raros. O que ficou foi apenas a saudade dos velhos tempos... FIM...