CADÊ
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CADÊ

Cadê aquela foto rasgada, da noite passada, da noite perdida? Cadê as crianças pequenas, os netos, os filhos? Cadê a comida na mesa, as panelas fervendo, o arroz, o feijão, a carne assada no forno e o pudim de leite com suspiro enfeitando?

Cadê a piscina cheia de água e de gente, com cadeiras em volta? Onde estão eu e meus irmãos entrando na casa ensopados, de água e de alegria com sorrisos largos? Cadê a mãe chamando para o almoço e avisando que só vai poder entrar da piscina depois de fazer a digestão?

Cadê a nossa pressa de voltar para a piscina, de fazer arruaça, de ver o dia virar noite e só sair, com a mãe gritando: vêm pra dentro? E a gente não obedecia, e quando a cinta estalava a gente se enxugava e rumava para debaixo do chuveiro e depois para debaixo da asa da mãe.