Sem pressa, com asas.
Meu sangue transborda o gosto amargo da minha alma. Meu coração puro lambe as feridas guardadas de outra vida.
Os trilhos que assisto passear ao vagar me fazem recordar como o futuro me aguardará.
Não posso viver mais nesse corpo apodrecendo e cheio de veneno. Desejo ser liberta como um pássaro, com asas cobertas, desdobradas. Manhãs iluminadas ecoam e gritam: correntes quebradas.
Escritas passadas, deixadas guardadas. Pontas de agulhas afiadas não machucam minhas palavras; tocam minha alma com sabor de novas cascatas.
O abismo, fundo e indomável, encontra-se trancado em um buraco, mais perdido que amores destinados, mais confusos em outros lados.
Vago sem me sentir um cão adestrado; não perca meus rastros. Não sou refém de erros do passado, nem trancafiada em segredos, num diário a cair aos pedaços.
O usurpador não enterrará sentimentos a desencadear a luz encontrada.
A porta não será fechada. Arranque olhos que não te pertencem; a dor incoerente.
O doce amargo que fere seus lábios passa a ser deixado, como diário guardado em um armário.
Como esquecer o passado?
Coração desmembrado para ser retalhado, amado em seus pontos fracos.
Liberte o pássaro.
