Sem pressa, com asas

Sem pressa, com asas

Sem pressa, com asas.

 

Meu sangue transborda o gosto amargo da minha alma. Meu coração puro lambe as feridas guardadas de outra vida.

 

Os trilhos que assisto passear ao vagar me fazem recordar como o futuro me aguardará.

 

Não posso viver mais nesse corpo apodrecendo e cheio de veneno. Desejo ser liberta como um pássaro, com asas cobertas, desdobradas. Manhãs iluminadas ecoam e gritam: correntes quebradas.

 

Escritas passadas, deixadas guardadas. Pontas de agulhas afiadas não machucam minhas palavras; tocam minha alma com sabor de novas cascatas.

 

O abismo, fundo e indomável, encontra-se trancado em um buraco, mais perdido que amores destinados, mais confusos em outros lados.

 

Vago sem me sentir um cão adestrado; não perca meus rastros. Não sou refém de erros do passado, nem trancafiada em segredos, num diário a cair aos pedaços.

 

O usurpador não enterrará sentimentos a desencadear a luz encontrada.

 

A porta não será fechada. Arranque olhos que não te pertencem; a dor incoerente.

 

O doce amargo que fere seus lábios passa a ser deixado, como diário guardado em um armário.

 

Como esquecer o passado?

 

Coração desmembrado para ser retalhado, amado em seus pontos fracos.

 

Liberte o pássaro.

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