COR DE ROSA, VERMELHA
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COR DE ROSA, VERMELHA

Em uma tarde de dezembro ouço o barulho do vento passando devagarinho trazendo a chuva. As folhas da roseira, cor de rosa e vermelha estão salpicadas com os primeiros pingos, as gotas iniciais de uma linda primavera.

A manteiga derretendo sobre o pão quente que derrete o queijo, e um beijo de bom dia para molhar o rosto e inudar o resto com fios de felicidade.

A louça lavada tirada da pia, secada, guardada, relata mais um dia. A mãe varrendo o quintal, a roupa estendida no varal e o cachorro correndo sem rumo pelo chão de terra batida, que ironia ali havia um pomar.

Muitos frutos, muitas flores e amores desperdiçados e amizades despedaçadas por motivos fúteis. E qual é a sua utilidade para o mundo? Construir ou destruir? Reclamar ou encontrar alguma solução? Você sabe? Provavelmente não, mas você procura saber?

A minha dor não é igual a dor da moça sentada no banco do lado do ônibus que foge da janela, e muito menos da menina de mochila nas costas e uniforme da escola que não passa a catraca por medo de qualquer coisa.

Eu não julgo, sou medroso também. O mundo me dá medo, o ser humano me dá medo.

Em uma tarde de dezembro vejo a chuva indo embora e um arco-íris aparecendo. Que bela cena de fim de dia.