O olhar
Era só um olhar. Pelo menos, foi isso que tentei dizer a mim mesmo naquela tarde, quando nossos olhos se encontraram pela primeira vez. Nada de extraordinário aconteceu. O mundo não parou, o tempo não retrocedeu, nenhuma música começou a tocar ao fundo. As pessoas continuaram caminhando, os carros continuaram passando, e o sol continuou sua lenta despedida atrás dos prédios. Mas eu perdi o fôlego. Por fora, permaneci imóvel, fingindo uma tranquilidade que nunca existiu. Por dentro, alguma coisa se desfez. Meu coração parecia desconhecer o próprio ritmo, e minhas mãos tremiam discretamente, como se meu corpo tivesse reconhecido um perigo que minha razão ainda não conseguia explicar.
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