Você terá sabor de algodão-doce,
cheiro de chuva beijando a terra,
e um sorriso chegando dançando,
como quem não sabe
que já está fazendo primavera.
Terá o costume bonito
de dizer mais de dez vezes
“eu te amo, titia”,
como se o amor, para existir,
precisasse ser dito até transbordar.
Seus passos, antes tímidos pela casa,
serão, um dia, uma pequena eternidade.
E o que hoje cabe no meu colo
amanhã ocupará o mundo,
sem deixar de caber no meu abraço.
Você será vento morno no rosto,
riso espalhado pelos cômodos,
um jeito novo de chamar o lar
de qualquer lugar onde esteja.
E quando crescer,
que a vida não lhe roube
a coragem de se encantar,
a liberdade de dançar sem motivo,
nem a vontade de dizer eu te amo
como quem acaba de descobrir o amor.
Porque ser criança
é deixar um pouco de eternidade
nas mãos de quem nos ama.
E você, minha pequena,
sem sequer saber,
já está devolvendo infância
a todos os lugares de mim.
