Meu nome
não cabe em crachá,
nem em chamada de presença.
Meu nome tem sotaques,
tem o "de" que liga
e o "dos" que honra.
Foi minha mãe quem escolheu,
mas foi minha avó quem sonhou.
Meu nome veio com história,
com fé, com chão batido.
Dizem que é difícil,
que não está no dicionário,
mas está no altar da minha casa,
na palma da minha mão.
Meu nome tem cor,
tem tempo,
tem povo.
Quando me chamam certo,
me reconheço inteira.
Quando erram,
sou silêncio que resiste.
Meu nome é plural.
Sou muitas em uma.
Sou voz, sou raiz,
sou escrita viva
num país que tenta apagar o que não entende.
