Há dores que não gritam,
escorrem —
como café frio numa manhã sem pressa,
como chuva no vidro
que ninguém mais olha.
Não há drama nos dias em que me quebro.
Só silêncio.
E um cuidado miúdo de me varrer por dentro,
como quem tenta não acordar os fantasmas.
Não é cura ainda.
É só o começo do esquecimento
de tudo o que feriu.
Mas já é alguma paz.
