Flores no chão, coração em ruínas

Flores no chão, coração em ruínas

Eu comecei a sentir que alguma coisa entre nós estava morrendo.

Não sabia dizer quando começou. Talvez tenha sido aos poucos, escondida entre uma mensagem que demorava mais para ser respondida, um abraço que já não durava o mesmo tempo, um olhar que antes procurava o meu e agora parecia fugir dele.

Mas eu sentia.

E talvez essa tenha sido a pior parte: perceber que estava perdendo você antes mesmo de ter certeza de que já tinha te perdido.

Eu te mandava mensagens cheias de carinho, tentando arrancar de você qualquer sinal de que ainda existia alguma coisa entre nós. E recebia de volta respostas frias, secas, pequenas demais para todo o amor que eu colocava em cada palavra.

Era como conversar com alguém que já tinha ido embora, mas ainda permanecia do outro lado da tela.

E eu comecei a me perguntar:

O que foi que eu fiz?

Será que te magoei sem perceber?

Será que deixei de ser suficiente?

Será que, em algum momento, você simplesmente deixou de me amar?

Não fazia tanto tempo desde a última vez que ficamos juntos. Ainda conseguia lembrar do seu corpo perto do meu, do calor da sua pele, da sensação de que pertencíamos um ao outro.

Mas alguma coisa havia mudado.

E eu não sabia o quê.

Lembro daquela noite na pizzaria.

Você estava ali, sentado tão perto e, ao mesmo tempo, tão distante.

Seu olhar perdido em algum lugar que eu não conseguia alcançar.

Eu tentava puxar assunto, fazia perguntas, procurava qualquer brecha para trazer de volta aquela intimidade que um dia parecia tão natural entre nós.

Mas você me ignorava.

Ou talvez fingisse que eu não estava ali.

E eu fingia que não percebia.

Que ironia.

Nós dois sentados na mesma mesa, dividindo o mesmo espaço, enquanto um abismo crescia silenciosamente entre nós.

Eu queria perguntar o que estava acontecendo.

Queria olhar nos seus olhos e ouvir a verdade, qualquer que fosse ela.

Mas tive medo.

Medo da resposta.

Porque, às vezes, a gente prefere sofrer com a dúvida do que morrer de vez com a certeza.

Já fazia seis meses desde que começamos a namorar.

Seis meses.

E, enquanto para mim ainda parecia que estávamos tentando construir alguma coisa, dentro de você talvez já tivesse acabado há muito tempo.

Eu sentia que o amor tinha terminado.

Pelo menos da sua parte.

Porque eu ainda estava ali.

Machucado, confuso, inseguro… mas ainda ali.

Ainda tentando.

Ainda insistindo.

Ainda procurando alguma maneira de fazer você se apaixonar por mim outra vez.

Talvez tenha sido ingenuidade.

Talvez tenha sido desespero.

Ou talvez fosse apenas amor demais por alguém que já não sentia o mesmo.

Foi então que escrevi.

Escrevi tudo aquilo que eu não conseguia dizer olhando nos seus olhos.

Coloquei em palavras cada pedaço do que sentia, cada medo, cada saudade, cada esperança. Escrevi sobre o quanto ainda te amava, sobre o quanto queria que nós desse certo, sobre o quanto estava disposto a lutar para não perder aquilo que acreditava ser nosso.

Enviei.

E esperei.

Apareceu a confirmação de que você tinha visto.

Visualizado.

E nada.

Nenhuma palavra.

Nenhuma explicação.

Nenhum "eu te amo".

Nenhum "me desculpa".

Nada.

Apenas o silêncio.

E aquele silêncio respondeu tudo aquilo que você não teve coragem de dizer.

Eu me arrependi.

Apaguei o texto inteiro.

Como se apagar aquelas palavras pudesse apagar também a vergonha de ter implorado por um amor que talvez já não existisse.

Dois dias se passaram.

Nenhuma resposta.

Nenhum sinal.

Então, mais uma vez, deixei meu orgulho morrer antes de mim.

Peguei flores.

Comprei bombons.

E fui até a sua casa.

Talvez, no fundo, eu ainda acreditasse em finais felizes.

Talvez achasse que, quando você me visse ali, perceberia o quanto eu ainda te amava.

Talvez acreditasse que aquele gesto seria suficiente para salvar o que estava desmoronando.

Eu só não sabia que estava levando flores para o enterro do nosso relacionamento.

Quando cheguei, vi você.

E vi outra pessoa com você.

Naquele instante, tudo ficou em silêncio.

O mundo continuou se movendo, os carros continuaram passando, as pessoas continuaram vivendo suas vidas…

Mas dentro de mim, alguma coisa parou.

As flores escorregaram das minhas mãos.

Caíram no chão.

E foi como se, junto delas, tivesse caído tudo aquilo que eu ainda tentava salvar.

Minha esperança.

Minha confiança.

Meu amor.

Meu orgulho.

Eu queria gritar.

Queria perguntar por quê.

Queria exigir uma explicação para todas aquelas noites em que chorei tentando descobrir o que havia feito de errado.

Mas nenhuma palavra saiu.

Porque existem dores tão grandes que nem a voz consegue carregá-las.

Eu apenas fui embora.

Rápido.

Sem olhar para trás.

Não porque não doía.

Mas porque, se olhasse novamente, talvez não conseguisse partir.

Naquele momento, eu só queria esquecer que você existia.

Apaguei nossas fotos.

Nossas conversas.

Nossas lembranças.

Tudo aquilo que um dia me fazia sorrir passou a parecer uma prova contra mim mesmo.

Tentei arrancar você da minha vida como quem tenta arrancar uma página de um livro sem rasgar a história inteira.

Mas algumas pessoas não ficam apenas nas fotografias.

Ficam nos lugares.

Nas músicas.

Nos cheiros.

Nas noites.

E, principalmente, ficam dentro da gente.

Foi então que eu peguei o celular.

Abri o WhatsApp.

E fiquei olhando para a nossa conversa.

As mensagens que eu tinha apagado ainda estavam ali, marcadas pelo vazio.

E eu chorei.

Chorei em silêncio.

Porque aquelas mensagens eram as últimas coisas que eu tinha de nós.

As últimas palavras de alguém que ainda acreditava.

As últimas tentativas de alguém que ainda amava.

As últimas provas de um sentimento que, enquanto eu lutava desesperadamente para mantê-lo vivo, já havia morrido nas mãos de quem um dia prometeu ficar.

E talvez essa tenha sido a parte mais cruel de tudo.

Eu não estava chorando apenas porque você me traiu.

Eu estava chorando porque, naquele momento, finalmente entendi que todas as vezes em que tentei salvar nosso amor…

eu estava tentando salvar sozinho uma história que já tinha acabado para você.

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