Eu não esperava te encontrar naquela praça.
Na verdade, eu já tinha me acostumado com a solidão daquele lugar. Sentava ali sozinho, perdido entre pensamentos que nunca diziam para onde estavam me levando, apenas esperando o tempo passar. Era mais uma noite qualquer — ou pelo menos era isso que eu acreditava.
Até você aparecer.
Talvez tenha sido apenas coincidência. Talvez tenha sido uma dessas ironias cruéis do destino, que coloca alguém no nosso caminho sem avisar o quanto aquela pessoa será capaz de mudar tudo. E, naquele instante, eu ainda não sabia se você tinha chegado para ficar ou se seria apenas mais uma passagem bonita pela minha vida.
Você puxou assunto.
E, de repente, aquela praça deixou de ser apenas uma praça.
Nossa conversa começou sem pretensão, mas alguma coisa nela parecia diferente. As horas passaram sem que eu percebesse. Era como se, pela primeira vez em muito tempo, eu não tivesse vontade de olhar para o relógio. Eu só queria continuar ali, ouvindo você, descobrindo seus detalhes, conhecendo aquela pessoa que, até algumas horas antes, era completamente desconhecida para mim.
Trocamos nossas redes sociais, fizemos promessas simples de nos vermos novamente e marcamos um encontro naquele restaurante que você sempre quis conhecer.
E então chegou o dia.
Eu apareci na porta da sua casa segurando um buquê de flores. Talvez tenha sido cedo demais para aquilo. Talvez eu nem soubesse explicar por que fiz. Mas, de alguma forma, alguma coisa dentro de mim já tinha entendido antes da minha própria razão: você era diferente.
Eu queria te surpreender.
Queria que você soubesse, mesmo sem eu precisar dizer, que aquela noite tinha importância para mim.
Conversamos sem pressa. Rimos, contamos histórias, descobrimos pequenas coisas um sobre o outro e, quando percebi, o tempo já tinha passado.
Eu te levei para casa.
E foi ali, naquela despedida que deveria ser apenas mais uma, que o inesperado aconteceu.
Nosso primeiro beijo.
Um beijo quente, intenso, daqueles que parecem fazer o mundo desaparecer por alguns segundos. Daqueles que roubam o ar, confundem os pensamentos e fazem o coração bater como se tivesse acabado de descobrir uma nova maneira de existir.
Depois daquele dia, vieram outros.
E outros.
Os encontros foram se tornando parte da minha rotina. Os dias ficaram mais leves. As horas tinham outro significado. Eu comecei a esperar pelas mensagens, pelos encontros, pelo simples fato de saber que, em algum momento, eu teria você novamente.
E, sem perceber, aquilo que começou como uma conversa em uma praça havia se transformado em algo muito maior.
Até que a coragem finalmente venceu o medo.
Eu pedi sua mão.
E lembro de pensar, quase sem acreditar: será que, dessa vez, o destino tinha acertado?
Será que, depois de tantas decepções, tantas despedidas e tantas noites em que eu achei que o amor simplesmente não era feito para mim, finalmente alguém havia chegado para provar o contrário?
Porque ter você na minha vida fez algo que eu já não acreditava ser possível.
Você me fez acreditar novamente no amor.
Não naquele amor perfeito das histórias, onde ninguém se machuca e tudo termina bem. Mas naquele amor verdadeiro, imperfeito e humano, que faz a gente querer permanecer mesmo sabendo que amar também significa se tornar vulnerável.
Com você, eu não enxergava tristeza.
Não enxergava decepção.
Não enxergava o fim.
Eu enxergava nós dois.
E, pela primeira vez em muito tempo, enxergava um futuro que antes parecia impossível.
Talvez você tenha chegado por acaso.
Talvez tenha sido apenas mais uma coincidência entre milhões de encontros que a vida poderia ter provocado.
Mas, naquele momento, eu queria acreditar que não.
Queria acreditar que, depois de tanto tempo caminhando sozinho, o destino finalmente havia colocado alguém no meu caminho por uma razão.
E essa pessoa era você.
