Às vezes eu penso
que devia sentir menos,
fechar as portas do peito,
deixar só o necessário entrar…
Porque quem sente demais
carrega tempestades por dentro
que ninguém vê,
mas que afogam.
Ser intenso é isso:
é sorrir por um detalhe
e desmoronar por um silêncio.
É acreditar no “pra sempre”
mesmo quando o mundo inteiro
já desistiu dele.
E toda vez que eu achei
que ia dar certo…
veio a dor —
não como um aviso,
mas como uma lâmina fria
rasgando devagar por dentro,
torcendo, insistindo,
até não sobrar nada inteiro em mim.
Morri várias vezes assim.
Não de corpo —
mas de alma.
E cada pedaço que ficava no chão
me transformava em alguém
mais distante,
mais quieto,
mais difícil de amar.
Mas aí… você chegou.
E foi diferente.
Ou talvez eu só quisesse
que fosse.
Te conheci como quem encontra abrigo
no meio de um vendaval,
me apaixonei como quem não aprende,
e me entreguei —
inteiro,
sem armadura,
sem medo de sangrar de novo.
Lutei por nós
como quem luta pela própria vida,
acreditando em cada gesto,
em cada palavra tua
como se fossem promessas escritas no destino.
Mas nem toda luta se vence…
e eu fui percebendo, aos poucos,
que cada passo que eu dava
era mais um pedaço meu
se quebrando em silêncio.
Mesmo assim…
a esperança ainda respira aqui dentro.
Porque quando penso em você,
eu ainda vejo o impossível acontecer.
Vejo a chuva cair sobre nós
e teu beijo molhado
me fazendo esquecer o mundo,
me perder sem querer me achar,
escorregar nas curvas do teu corpo
como quem encontra o caminho de casa,
me prender nos teus cachos
como se ali fosse meu lugar.
E mesmo sendo esse louco —
intenso, exagerado, emocionado —
eu ainda tenho coragem de te dizer:
fica.
Fica comigo…
não só agora,
mas nos dias difíceis,
nos silêncios pesados,
nas noites em que o coração aperta sem motivo.
Aceita viver essa loucura ao meu lado,
essa vida urgente,
como quem ama sabendo
que tudo pode acabar amanhã.
Porque se for com você…
eu não tenho medo de sentir demais.
Só tenho medo
de nunca mais sentir assim.
