SUPLÍCIO
0:00

SUPLÍCIO

Vês velejar pelo fino átrio que se esconde

A prova, as magoas que de todos os rios fluem

Dos vagalumes que a noite não respondem

Pelas fumaças que no ar já não poluem?

Que modéstia emblemática reza feita

Que do rosto fino escorrem rios de gritos

Como se fossem mortas plantações de trigo

Abandonadas a um vil destino réu, sem colheita.

E do sol que sem piedade faz queimar a nuca,

Será ainda dele toda a culpa do calar e amordaçar

Da pele sem ternura, agora escura e castigada?

O tempo há de mostrar aos homens na alvorada

Quando corpos imóveis se estenderem nas calçadas

e um sentimento de culpa os tomarem como nunca.