Vês velejar pelo fino átrio que se esconde
A prova, as magoas que de todos os rios fluem
Dos vagalumes que a noite não respondem
Pelas fumaças que no ar já não poluem?
Que modéstia emblemática reza feita
Que do rosto fino escorrem rios de gritos
Como se fossem mortas plantações de trigo
Abandonadas a um vil destino réu, sem colheita.
E do sol que sem piedade faz queimar a nuca,
Será ainda dele toda a culpa do calar e amordaçar
Da pele sem ternura, agora escura e castigada?
O tempo há de mostrar aos homens na alvorada
Quando corpos imóveis se estenderem nas calçadas
e um sentimento de culpa os tomarem como nunca.

