DEU MEIA-NOITE, O AMOR CHAMOU-ME
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DEU MEIA-NOITE, O AMOR CHAMOU-ME

Deu meia-noite, o amor chamou-me.

Meu sono leve amanheceu ligeiro.

Faz meia hora que o amor valeu-me,

e do meu corpo fez seu travesseiro.

 

Tanto barulho! O amor constrange;

ouve-se ao longe o seu longo urro…

Ficam aos cacos, que seu berro tange,

toda vontade, apetite, muro…

 

Mas por que chora, o amor, meu Deus,

essa imagem que de mim nasceu,

que me comove e me coloca aqui?

 

Então o amor, que soerguendo o braço,

me desmantela, vence o meu cansaço,

me vê chegando e então sorri.