Oh raízes de desventura!
Candura de leite e colo, a vida repousada nos seios,
Nascentes que transcendem a boca ávida,
Mulher de teu ventre nascemos.
E quem me dera contemplar a ilha bela, escondida,
Majestoso solo de único ser vivente,
Que convulsa pela entrega da existência
Morde a língua, reluta, dá à luz e se acalma.
Musa, não deixe as árduas lutas enegrecerem
A doçura de seu cândido semblante,
Pois é sempre com esse ar de menina,
É sempre com essa persistência infinda
Que alcançara a esperança e a vitória nesta guerra.
Guerra esta onde a desigualdade predomina,
Onde o sol te consola, mas não te renova,
E queima sempre no mesmo lugar a ferida exposta,
Que de muito espremida não se fecha.
Avante, Avante!
Agora que sabes de tua força, te levantes e corra,
Abra os braços e vejas como tu és gigante
E como suas sementes na terra se expandem
Deixando o legado de sua trajetória.
Mulher, mulher rainha das auroras,
Que o relógio se enrole nos ponteiros e perca as horas
Que se amontoem unissonante todas as vitrolas,
Tocando a sinfonia de que te amo.

