MULHER
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MULHER

Oh raízes de desventura!

Candura de leite e colo, a vida repousada nos seios,

Nascentes que transcendem a boca ávida,

Mulher de teu ventre nascemos.

 

E quem me dera contemplar a ilha bela, escondida,

Majestoso solo de único ser vivente,

Que convulsa pela entrega da existência

Morde a língua, reluta, dá à luz e se acalma.

 

Musa, não deixe as árduas lutas enegrecerem

A doçura de seu cândido semblante,

Pois é sempre com esse ar de menina,

É sempre com essa persistência infinda

Que alcançara a esperança e a vitória nesta guerra.

 

Guerra esta onde a desigualdade predomina,

Onde o sol te consola, mas não te renova,

E queima sempre no mesmo lugar a ferida exposta,

Que de muito espremida não se fecha.

 

Avante, Avante!

Agora que sabes de tua força, te levantes e corra,

Abra os braços e vejas como tu és gigante

E como suas sementes na terra se expandem

Deixando o legado de sua trajetória.

 

Mulher, mulher rainha das auroras,

Que o relógio se enrole nos ponteiros e perca as horas

Que se amontoem unissonante todas as vitrolas,

Tocando a sinfonia de que te amo.