QUANTOS PRATOS DE COMIDA CABEM EM SUAS NOTAS DE CEM?
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QUANTOS PRATOS DE COMIDA CABEM EM SUAS NOTAS DE CEM?

Quantos pratos

De comida cabem

Em suas notas

De cem?

 

Sem notas

Um sinal vermelho

A espreita,

Caminho sempre

Em frente, na frente

De um carro

 

Esmola,

A hora me sacode

Um tapa na cara

Não tenho, não tenho!

 

Como pode?

Maltrapilho, imundo.

Custosa é essa vida minha

Sem rumo.

 

Os reflexos do passado estão em tudo,

Como gritos abafados,

No laço cego das emboscadas

Eu urino nas placas de ferro

Embaixo de um céu de escombros.

 

Ninguém me nota,

Mais um dia se foi

Sem nenhuma nota

Só uma caixa vazia

De papelão molhado.

 

Minha cama,

Minha sina de verme

Minha fome,

Como pode um homem

viver morrendo, sem nada?

 

Estou há anos na estrada

Acompanhado,

Meu corpo, minhas chagas,

E uma pinga.

Vida essa desgraçada a minha,

Sentindo ser a dedo escolhido

No meio dos ricos

A enganar a fome,

Eu me limito,

E repito,

 

“Quantos pratos

De comida cabem

Em suas notas

De cem?”

 

Nas minhas, nem o nome.