Ainda que o tempo me deixe aos pedaços
bulindo meu corpo de sonhos mesquinhos
assim que me acabo — de contas, cansaços…
eu sinto Teus dedos fincando caminhos
Ainda que a vida não traga paragens
nem sombra de tempo de ócio e conforto
me vem a clareza nas Tuas paisagens
debaixo do sol e distante do porto…
Ainda que eu sonhe e nada se faça,
por mais que eu crie — e o tempo desfaça,
por mais que eu reme… me rendo as marés
não temo a mudança, que a chuva se forme,
embora em Silêncio — igual a quem dorme —
com Deus no meu barco, descanso na fé!

