BARCA
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BARCA

Ainda que o tempo me deixe aos pedaços

bulindo meu corpo de sonhos mesquinhos

assim que me acabo — de contas, cansaços…

eu sinto Teus dedos fincando caminhos

 

Ainda que a vida não traga paragens

nem sombra de tempo de ócio e conforto

me vem a clareza nas Tuas paisagens

debaixo do sol e distante do porto…

 

Ainda que eu sonhe e nada se faça,

por mais que eu crie — e o tempo desfaça,

por mais que eu reme… me rendo as marés

 

não temo a mudança, que a chuva se forme,

embora em Silêncio — igual a quem dorme —

com Deus no meu barco, descanso na fé!