Eu não soube reagir quando falaram de você.
Talvez porque ainda não exista em mim uma reação capaz de explicar o que acontece quando o seu nome atravessa meus ouvidos.
É estranho…
Porque você é uma das poucas pessoas capazes de fazer um sorriso nascer no meu rosto sem pedir licença. Basta alguém mencionar você e, por alguns segundos, eu volto para um tempo em que éramos nós dois contra o mundo.
Mas o sorriso dura pouco.
Logo depois vem o silêncio.
E, atrás dele, vem a saudade.
Aquela saudade maldita que chega sem avisar, senta ao meu lado e me obriga a lembrar de tudo aquilo que eu passei tanto tempo tentando esquecer.
E talvez você nunca tenha tido culpa.
Talvez nenhum de nós tenha tido.
Éramos imaturos demais para compreender o tamanho do amor que carregávamos. Éramos jovens demais para entender que algumas escolhas feitas no calor de uma discussão podem destruir anos de sentimentos.
Talvez tivéssemos amor suficiente para ficar, mas não maturidade suficiente para permanecer.
E isso é uma das coisas que mais me machucam.
Porque hoje eu consigo enxergar coisas que naquela época não conseguia.
Consigo enxergar que você não era apenas alguém que passou pela minha vida.
Você foi a parte dela que eu achei que permaneceria.
Eu me apaixonei por você de uma maneira que nunca consegui explicar.
Não foi planejado.
Não foi racional.
Não foi uma escolha.
Simplesmente aconteceu.
Você entrou na minha vida devagar e, quando percebi, já estava em todos os lugares.
Nas minhas músicas.
Nos meus pensamentos.
Nos meus planos.
Nas coisas que eu queria contar para alguém.
Nos lugares que eu queria conhecer.
Nos domingos preguiçosos.
Nas noites silenciosas.
Até nos meus sonhos.
Amar você foi como aquela velha Malhação…
A melhor forma de te amar.
E olha que ironia: eu nunca imaginei que uma brincadeira pudesse esconder uma verdade tão grande.
Porque eu realmente te amei.
E ainda amo.
Talvez seja justamente por isso que dói tanto.
Às vezes eu me deito no meu quarto e fico olhando para o teto, tentando entender em que momento a nossa história deixou de ser um começo e passou a ser uma lembrança.
Eu, que sempre fui apaixonado por super-heróis, costumava imaginar que seria o Robin e que você seria minha Estelar.
E talvez essa tenha sido a minha versão favorita de nós.
Dois personagens perdidos no meio de um universo enorme, mas que encontravam um no outro um lugar para chamar de casa.
Eu achava que seria assim.
Achava que depois de todas as batalhas, depois de todas as brigas, depois de todos os nossos “não quero mais te ver”, nós sempre encontraríamos o caminho de volta.
Porque nós sempre voltávamos.
Quantas vezes dissemos adeus?
Quantas vezes juramos que era o fim?
E, na semana seguinte, lá estávamos nós novamente.
Deitados na mesma cama.
Nossos corpos queimando como brasa.
Como se o mundo pudesse acabar lá fora e, ainda assim, enquanto estivéssemos juntos, nada realmente importasse.
Era como se nossos corpos soubessem aquilo que nossas bocas insistiam em negar.
Que ainda existia amor.
Que ainda existia desejo.
Que ainda existia nós.
Até que um dia você foi embora.
E dessa vez foi diferente.
Dessa vez você não voltou.
E eu fiquei.
Fiquei sentado nesse sofá, olhando para uma porta que já não se abriu para você.
Fiquei esperando passos que não vieram.
Uma mensagem que não chegou.
Um “voltei” que nunca existiu.
E foi aí que eu descobri que esperar alguém também pode ser uma forma lenta de morrer por dentro.
Eu achei que perder você seria uma queda.
Mas não foi.
Foi um desabamento.
Foi olhar para tudo aquilo que construímos e assistir, impotente, cada pedaço virar ruína.
Foi perder você e, junto com você, perder uma versão de mim que só existia quando estávamos juntos.
E talvez essa seja a parte mais cruel:
Eu não perdi apenas você.
Eu perdi o homem que eu era quando você me amava.
E, por mais que eu tente, não sei se algum dia vou conseguir encontrá-lo novamente.
Se existisse uma máquina do tempo, eu não voltaria para impedir o nosso fim.
Eu voltaria apenas para viver tudo outra vez.
Voltaria para aquele primeiro olhar.
Para o primeiro beijo.
Para nossas risadas.
Para nossas brigas idiotas.
Para os abraços demorados.
Para as noites em que dormíamos juntos sem imaginar que um dia eu sentiria falta até do silêncio que existia entre nós.
Eu voltaria para qualquer momento em que você ainda estivesse aqui.
Porque, se eu pudesse escolher apenas mais um dia ao seu lado, eu não pediria um dia perfeito.
Eu pediria um dia comum.
Um dia em que você estivesse comigo.
Porque hoje eu descobri que aquilo que eu chamava de rotina era, na verdade, a minha felicidade.
Você era a minha rotina.
E eu não sabia.
Você era minha rainha.
E, por muito tempo, eu me senti o seu rei.
Não porque eu tivesse um reino.
Mas porque, quando você estava comigo, eu tinha um lugar no mundo.
Hoje esse reino está vazio.
As paredes continuam de pé, mas não existe mais ninguém dentro delas.
E eu caminho pelos corredores das minhas próprias lembranças, encontrando pedaços seus em cada canto.
Às vezes encontro sua voz.
Às vezes seu cheiro.
Às vezes o seu sorriso.
E às vezes encontro apenas a ausência.
A maldita ausência.
Aquela que não abraça.
Não responde.
Não volta.
Eu te amei demais.
Talvez esse tenha sido o meu erro.
Eu te amei de uma maneira quase injusta comigo mesmo.
Te coloquei em lugares onde talvez ninguém devesse colocar outra pessoa.
Fiz de você abrigo.
Fiz de você lar.
Fiz de você futuro.
E quando você foi embora, eu descobri que havia colocado meu mundo inteiro dentro de alguém que poderia simplesmente partir.
E você partiu.
Eu chorei.
Eu gritei.
Eu implorei em silêncio.
Conversei com Deus.
Conversei comigo mesmo.
Procurei respostas em lembranças antigas.
Revirei conversas.
Revisitei fotografias.
Tentei descobrir o momento exato em que deixamos de ser eternos.
Mas não encontrei.
Talvez não tenha existido um momento.
Talvez nós apenas tenhamos desaparecido aos poucos.
Um pouco a cada discussão.
Um pouco a cada mágoa.
Um pouco a cada despedida.
Até que, quando percebemos, já não havia mais nós.
E existe uma pergunta que ainda me persegue:
Por que você foi embora?
Eu poderia passar o resto da minha vida procurando uma resposta.
Mas talvez algumas perguntas tenham sido feitas para permanecer sem resposta.
Então eu preciso aceitar.
Preciso aceitar que não existe mais nós dois.
Preciso aceitar que aquela cama está vazia.
Que aquele sofá não vai testemunhar sua volta.
Que meu celular não vai tocar com seu nome.
Que não haverá outro abraço.
Outro beijo.
Outra madrugada.
Outro “fica”.
Preciso aceitar que a nossa história terminou enquanto uma parte de mim ainda estava escrevendo o próximo capítulo.
E talvez essa seja a pior forma de perder alguém:
Quando a pessoa vai embora, mas o amor continua.
Porque meu coração ainda não entendeu aquilo que a realidade já sabe.
Você não vai voltar.
E eu preciso aprender a viver com isso.
Mas não pense que deixar você ir significa que deixei de amar.
Não.
Talvez seja justamente o contrário.
Talvez eu esteja deixando você ir porque te amei o suficiente para entender que não posso obrigar ninguém a ficar.
Então essa é a minha despedida.
Não aquela despedida dramática que espera uma última chance.
Não aquela que diz “adeus” esperando secretamente ouvir “fica”.
É uma despedida verdadeira.
Daquelas que quebram a gente por dentro.
Eu estou te deixando ir.
Mesmo querendo correr atrás.
Mesmo querendo te procurar.
Mesmo querendo voltar no tempo.
Mesmo que uma parte de mim ainda grite seu nome toda vez que a noite fica silenciosa demais.
Eu estou te deixando ir.
Porque você merece ser livre.
E eu preciso descobrir como ser livre daquilo que sinto por você.
Mas existe uma coisa que o tempo jamais vai conseguir apagar.
Você existiu.
Nós existimos.
E, por algum tempo, fomos felizes.
E isso ninguém pode tirar de mim.
Então, se algum dia você olhar para trás e se perguntar se alguém realmente te amou…
Sim.
Eu amei.
Amei com medo.
Amei com raiva.
Amei sorrindo.
Amei chorando.
Amei mesmo quando você dizia para eu ir embora.
Amei mesmo quando você partiu.
Amei até quando amar você começou a doer mais do que a sua ausência.
E talvez eu ainda ame por muito tempo.
Talvez exista uma parte de mim que nunca consiga deixar você completamente para trás.
Mas tudo bem.
Algumas pessoas não foram feitas para permanecer.
Foram feitas para marcar.
E você me marcou.
Profundamente.
Para sempre.
Você foi o meu amor, a minha casa, o meu caos, a minha paz e, no fim, a minha maior saudade.
E se essa for realmente a última vez que nossas histórias se encontram…
Eu só quero que você saiba:
Eu teria escolhido você novamente.
Mesmo sabendo do fim.
Mesmo sabendo da dor.
Mesmo sabendo que um dia você partiria e eu ficaria aqui, tentando juntar os pedaços do que restou de mim.
Eu teria escolhido você.
Porque, apesar de tudo…
Por um breve e inesquecível período da minha vida, eu tive você.
E amar você foi a coisa mais bonita que me destruiu.
