No início, éramos ridiculamente felizes.
Havia beleza nas coisas mais insignificantes. Nas mensagens de bom-dia, nas conversas que atravessavam a madrugada, nas provocações bobas, nos planos que fazíamos sem a menor garantia de que o futuro nos obedeceria.
Você tinha o costume de sorrir antes de terminar uma frase quando sabia que estava prestes a me fazer rir. Eu fingia irritação, embora, no fundo, esperasse ansiosamente por aquilo.
Gostávamos de imaginar uma vida que ainda não existia.
Falávamos de viagens, de uma casa pequena, de domingos preguiçosos e de noites na praia, deitados na areia, contando estrelas como se tivéssemos todo o tempo do mundo.
Você dizia que queria envelhecer ao lado de alguém que ainda soubesse brincar de recomeçar.
Eu ria e prometia que aprenderia.
O que nenhum de nós compreendia era que o amor não se sustenta apenas com promessas. Ele precisa de presença quando a novidade desaparece, de cuidado quando a rotina pesa, de humildade quando o orgulho oferece uma desculpa conveniente.
E eu era péssimo nisso.
Não porque deixasse de amar você, mas porque, de alguma forma absurda, passei a acreditar que o seu amor era uma certeza.
Quando você reclamava da minha ausência, eu dizia que estava cansado.
Quando pedia mais atenção, eu prometia melhorar amanhã.
Quando discutíamos, preferia vencer a discussão a compreender por que você estava chorando.
Eu tinha sempre uma justificativa. Sempre uma resposta. Sempre uma maneira de transformar a sua tristeza em exagero e os meus erros em coisas pequenas.
Você, por outro lado, continuava tentando.
E talvez essa tenha sido a parte mais cruel de tudo: enquanto você lutava para salvar o que tínhamos, eu me acostumava com a ideia de que você nunca desistiria.
Confundi paciência com eternidade.
Confundi perdão com permissão.
Confundi o fato de você ficar com a impossibilidade de você partir.
Até que um dia você parou de pedir.
E eu, ingenuamente, pensei que finalmente tínhamos encontrado a paz.
Não percebi que o silêncio também pode ser uma despedida.
