Há dias que sou domingo; acordo, mas não desperto.
Os olhos da alma permanecem fechados; sonolentos durante todo o dia.
Nestes hiatos que são domingos, torno-me preguiçosa. Desejo, ardentemente desejo tudo fazer e nada realizo.
Rastejo, pé ante pé, calma e passiva, na busca por encontrar algo que tanto me falta e eu nunca sei dizer o quê.
Abro armário, desarrumo gavetas. Em dias como este, domingo por dentro e silêncio por fora, torno-me parte da mobília; nada penso. Tudo sinto.
Não durmo. Sequer consigo fechar os olhos por um instante. Este -os olhos- seguem secos, enquanto o coração afunda; emergindo; respirando; sentindo.
São domingos às minhas terças. Domingos às quintas feiras. Quando penso que não, torno-me domingo, e sigo, estranha demais até mesmo para mim.

